Estoy seguro que pocos serán los votantes que saben de la existencia de una ley del financiamiento de los partidos políticos y de las campañas electorales que, en su Artº 5º del capítulo I, dice:
1- A cada partido que ha concurrido el acto electoral, desafío en la coalición, y que consigue representación en la asamblea de la república se concede, en los términos de los números siguientes, una subvención anual, desde entonces que la requiere al presidente del tablero de la república.
Fin de la
traducción
2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo mensal nacional por cada voto obtido na mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.
E serão ainda menos os cidadãos sabedores de quanto vale directa e indirectamente um voto. Pois bem, sendo o actual Salário mínimo mensal de 450 Euros, cada voto vale, directamente, 3,33 euros/ano aos partidos com assento na Assembleia da República.
Significa isto, que nos próximos 4 anos, do erário público, 27 milhões e 674 mil euros vão direitinhos para o PS; 22 milhões e 63 mil euros para o PSD; 7 milhões e 906 mil euros para o CDS; 7 milhões e 440 mil euros para o BE e 5 milhões e 959 mil euros para o PCP-PEV. Falamos assim de mais de 71 milhões de euros entregues de mão beijada aos principais partidos de um país economicamente indigente. Somando a isto o valor indirecto possível - as subvenções, ordenados, despesas de representação, carros, combustíveis, telemóveis, etc., inerentes aos cargos públicos, cujo preenchimento emana geralmente dos actos eleitorais, fica então a perceber-se que afinal um simples e único voto pode valer muito mais do que se possa imaginar.
Ora, neste momento dou comigo a pensar que todos os 3.830.355 cidadãos que não votaram no passado dia 27 de Setembro, mais os 99.161 que votaram em branco e somando ainda os 78.023 cujos votos foram anulados, prestaram um enorme serviço público ao país, uma vez que estes pouco mais que 4 milhões, traduzidos em votos úteis, provocariam a saída directa de mais 53 milhões e quatrocentos e trinta e três mil euros dos próximos Orçamentos Gerais do Estado, em favor dos 5 partidos mais votados. Assustador!
Confesso que nunca tinha pensado que um simples voto, válido ou em branco, estivesse intrinsecamente imbuído de toda esta carga monetária. Resta a cada um a opção de contribuir ou não para este circo, tendo do outro lado da balança os resultados das sucessivas governações. A minha (opção) está, há muito, tomada.