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Viernes 20 de noviembre de 2009

“Legión”: más uno que ha filmado antiBiblical viene

En las semanas pasadas, estas y otras los blogs tenían hacer referencia para referirse a la película reciente "2012" e como este tipo de cine apocalíptico lanza fácilmente la confusión en la mente de la gente, el punto de no llegar a ser tan obvia cuánto deseable la distinción entre la ficción y la realidad (de la misma forma, proporcionó la ocasión de presentar lo que dice la biblia en el tema, yo reconoce). Éste no es nuevos datos. El cine es una de las herramientas más grandes que desviaba el enemigo del dios la mente del creador. ¿Estará por lo tanto sin la sorpresa que, a la medida que cada vez que sigue habiendo poca hora a ella, él intensifica sus esfuerzos del engan@o y de la falsificación, usando este método que tanto éxito ha garantizado a ella en las últimas décadas?

Ahora, por favor, da a la atención en este otro un pozo en caso de que el que desee a él presentar, en caso de que ése no todavía sepa. La “legión” se preve por el año próximo que el estreia a intitled la película “legión” (- desde ya una pide: qué hace para recordar el ese dirigir a él). Según eso ya si sabe en este proyecto, el diagrama es el siguiente (sugiero que esté sentido bien antes de la lectura): “Después de que un apocalypse bíblico terrible para alcanzar el mundo, grupo de extranjeros encarcelados en un restaurante alejado del autoestrada de al sudoeste, se convierte en involuntario la línea de defensa pasada de la humanidad al descubrir que el empleado joven de la tabla del restaurante es embarazado del Messias.”

Algunos resúmenes (no confirmados oficialmente), incluyen las frases siguientes:

¿“Qué él sucede cuando el dios es cansado de nosotros, ser humano retransmite, y decide comenzar todo de nuevo? Bien, nada de bueno, éste es cierto. “

“Cuando el dios pierde la creencia en la humanidad, él envía su legión de ángeles para traer el Apocalypse. La única esperanza de la humanidad está en un grupo de extranjeros encarcelados en un restaurante en el desierto y el Arcanjo Miguel. “

¿Percibió como si el desvirtua y él lance discrédito en la historia más hermosa de siempre? ¿Mientras que es scrumbled a la trivialidad de un convite de la discusión y modificada por la conveniencia apropiada de los seres humanos de las manos el mensaje mayor (y urgente) ese este mundo necesario para saber?

Concluyo que con esto - entre otros - el estorbar de perceções, la mente de la gente ni pensaré cuando la historia verdadera ella será contada; estará, los juzgará trágico, solamente más una película…

(El Tiempo final)

También lee: “La espera del Messias” e “Hollywood ayuda a propagar el engan@o pasado”

Nota [MB]: Fin de la
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Além de distorcer o caráter de Deus e apresentar conceitos antibíblicos, o filme "Legião" é incorreto também quanto à verdadeira identidade do Arcanjo Miguel. Veja aqui as características desse "Anjo", confira os textos em sua Bíblia e tire suas conclusões:

Êxodo 23:20, 23 – O Anjo de Israel
Atos 7:38 e versos anteriores – O Anjo de Israel é Jesus
1 Coríntios 10:4 – Quem os seguia (a Pedra) era Cristo (cf. Êxodo 14:19)
Judas 9 – O Arcanjo Miguel (hebraico = “Quem é como Deus”)
Josué 5:13-15 – O Príncipe do exército do Senhor (“Descalça as sandálias...”)
Êxodo 3:5, 6, 2 – O “Anjo do Senhor” é o “Eu Sou”
Gênesis 22:11, 12 – Anjo do Senhor
Juízes 6:11, 14, 16 – O Anjo do Senhor aparece a Gideão
Malaquias 3:1 e Tiago 2:25 – Anjo = mensageiro
João 17:3 – Jesus, o supremo Mensageiro
Isaías 63:9 – O “Anjo da Sua presença”
Gênesis 48:16 – O Anjo que redime
1 Tessalonicenses 4:16 – A voz do Arcanjo ressuscita os mortos
João 5:28, 29 – A voz do Filho de Deus chama os mortos à vida
Daniel 12:1-4 – Quando Miguel Se erguer, no tempo do fim, ocorrerá a ressurreição

Por que há alguma coisa em vez de nada?

“O verdadeiro problema não é ‘O que havia antes?’, mas a questão fundamental: ‘Por que há alguma coisa em vez de nada haver?’ Leibniz formulou essa questão há mais de dois séculos, e hoje não estamos mais adiantados. O físico teórico está como qualquer um de nós: confrontado com essa questão, nada sabe, não tem a primeira palavra da resposta. Portanto, nosso ponto de partida seria: ‘Há alguma coisa, há a matéria.’ A questão ‘Como surgiu essa matéria?’ é do domínio da física. A questão ‘Por que há matéria em vez de nada haver?’ cabe à metafísica. (...)

“Há uma segunda questão que, em meu entender, é tão importante quanto a primeira e se pode enunciar de modo um pouco poético dizendo: ‘Por que há música em vez de ruído?’ Isto é, por que a matéria é organizada em vez de estar sem organização? Podemos muito bem imaginar que, mesmo havendo matéria (nossa primeira questão), essa matéria nunca tenha sido organizada, tenha permanecido um magma informe. Porém, constatamos que ela se organiza, e ao longo de sua história a matéria está continuamente se organizando. Pode-se responder: a matéria organiza-se porque existem leis, forças. Evidentemente, o problema não está resolvido, só foi deslocado. Pois pode-se formular a questão: ‘Por que existem leis?’ Com efeito, sabemos muito bem que a existência das leis deduz-se justamente da observação da organização! A primeira constatação é que há organização no Universo, como prova, por exemplo, o próprio fato de estarmos aqui falando dela. Quando me escutam, há um número fantástico de reações químicas que se produzem em nossos cérebros e nos permitem enunciá-las. Pois bem, tudo isso manifesta a existência de estruturações, de organização e de leis. Quer dizer que há música. Portanto, podem-se tomar como ponto zero do conhecimento duas afirmações. A primeira: ‘Há alguma coisa em vez de nada haver? (Leibniz). A segunda: há música, em vez de ruído...”

(Hubert Reeves, “L’origine de La matière”, La Matière Aujourd’hui, p. 106, 108 – citado por Denis Lecompte, em Do Ateísmo o Retorno da Religião)

Leia também: "Um ateu garante: Deus existe!" e "Antony Flew e Deus"

Dez coisas que tornam os seres humanos especiais

Humanos são animais [sic] incomuns em todos os aspectos imagináveis, aqueles que mudaram a face do mundo ao nosso redor. O que nos torna tão especiais quando comparados ao resto do reino animal? Algumas coisas desta lista certamente irão surpreendê-lo.

1. Cérebro extraordinário. Sem dúvida, o traço humano que mais nos distingue do reino animal é o nosso cérebro. Seres humanos não têm os maiores cérebros do mundo – estes pertencem às baleias macho. Nós também não temos o maior cérebro em relação ao tamanho do nosso corpo – os cérebros de muitos pássaros correspondem a 8% do peso do corpo, enquanto que o cérebro humano é responsável apenas por 2,5% do nosso peso. Contudo, o cérebro humano, pesando somente cerca de 1,5 kg quando cresce totalmente, nos dá a habilidade de raciocinar e pensar além da capacidade dos outros componentes do reino animal e nos dá a possibilidade de realizar trabalhos como os de Mozart, Einstein e de muitos outros gênios.

2. Postura ereta. Os seres humanos são originais entre os primatas [sic] devido à forma de andar inteiramente vertical, sendo essa a nossa principal modalidade de locomoção. Isso possibilita que nossas mãos sejam usadas apenas como ferramentas. Infelizmente, as mudanças feitas em nossa pelve para nos mover sobre dois pés, em combinação com bebês com grandes cérebros, torna o parto humano o mais perigoso comparado com os demais do reino animal [antes da Queda, o parto não era assim perigoso, nem doloroso]. Há um século, o parto era uma das principais causas de morte entre as mulheres. A curva lombar na parte traseira, que nos ajuda a manter nosso contrapeso enquanto ficamos em pé ou andamos, pode nos deixar vulneráveis a dores e tensões.

3. Poucos pêlos. Nós parecemos nus se nos compararmos com nossos primos [sic] mais peludos, como os macacos. Surpreendentemente, uma polegada quadrada de pele humana possui em média tantos folículos de produção de cabelos quanto outros primatas ou até mais. A diferença é que os seres humanos possuem frequentemente apenas cabelos mais finos, curtos e leves.

4. Mãos. Ao contrário do que dizem as concepções populares, os seres humanos não são os únicos animais [sic] a possuir os polegares opostos – a maioria dos primatas também tem. O que nos torna originais é a possibilidade de flexionar nossos dedos dobrando ou fazendo um formato de anel. Isso dá aos seres humanos um aperto poderoso e uma destreza excepcional para segurar e manipular ferramentas.

5. Discurso. A laringe, ou caixa de voz, fica mais abaixo da garganta nos seres humanos do que nos chimpanzés. Os antepassados humanos evoluíram [sic] essa laringe há aproximadamente 350.000 anos [a “explicação” sempre é tão fácil...]. Nós igualmente possuímos um osso original chamado hióide, abaixo da língua, que não está unido a nenhum outro osso no corpo e permite que articulemos as palavras ao falar. [Esse osso de uso específico e original também “evoluiu” do nada?]

6. Roupas. Os seres humanos podem ser chamados de “macacos despidos” [sic], mas a maioria se veste, o que nos faz uma exceção se fizermos uma comparação com outros animais. A única exceção que se dá é quando fazemos roupas para outros animais. O desenvolvimento das roupas influenciou no desenvolvimento de outras espécies – o piolho de corpo, ao contrário de todos os tipos restantes, adere-se à roupa, não ao cabelo.

7. Fogo. A habilidade humana de controlar o fogo traria uma semelhança do dia à noite, ajudando nossos antepassados a ter um mundo sem escuridão e mantendo os predadores noturnos distantes. O calor das chamas ajudou os povos a permanecerem mornos no tempo frio, nos permitindo viver em áreas mais frescas. Naturalmente, começamos a cozinhar. Inclusive, alguns pesquisadores atribuem a redução do intestino e dos dentes humanos à possibilidade de cozinhar – uma vez que eles ficam mais fáceis de mastigar e digerir. [Imaginação fértil...]

8. Ficar corado. O ser humano é a única espécie conhecida por corar. Darwin diz que esse comportamento é a expressão mais peculiar do ser humano. Ainda permanece incerto o motivo de as pessoas ficarem coradas. A ideia mais comum é de que as pessoas que ficam coradas, são honestas, beneficiando o grupo de um modo geral. [Ah, ta... Na verdade, é a velha questão da origem da moralidade, ainda não resolvida a contento. Quando foi que o ser humano desenvolveu o senso moral e a ética? E qual a vantagem evolutiva de se falar a verdade e denunciar a mentira pelo ruborizar do rosto?]

9. Infância longa. Os seres humanos devem permanecer no cuidado de seus pais durante mais tempo que outros primatas [sic]. A pergunta se transforma em “Por quê?”, uma vez que faria mais sentido a evolução ser mais rápida para se terem mais crianças. A explicação possível é que por termos cérebros mais capazes, se faz necessário um maior tempo de estadia com os pais para crescer e aprender. [Raciocínio circular, não? O que evoluiu primeiro: o cérebro mais capaz ou a permanência por mais tempo com os pais, que ajuda a tornar o cérebro mais capaz?]

10. Vida após a reprodução. A evolução biológica existe para maximizar a reprodução e não longevidade. A maioria dos animais se reproduz até morrer. Porém, as mulheres podem sobreviver muito tempo após ter cessado a reprodução. Isso pôde acontecer devido às ligações sociais observadas entre os seres humanos – nas famílias grandes, os avós podem ajudar suas famílias por muito tempo depois que eles deixaram de poder ter crianças.

(Hypescience)

Leia também: "Somos 'macacos-pelados'?" e "O que nos faz humanos"

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Crocodilos do passado eram mais inteligentes


Pelo visto, além dos neandertais, que eram mais fortes e tinham caixa craniana maior que a do ser humano atual; dos aborígenes "pré-históricos", que eram mais rápidos que o maior velocista da atualidade; os crocodilhos "pré-históricos" também eram mais bem dotados que seus descendentes de hoje. Deu no portal Terra: "Novos fósseis escavados no que hoje é o deserto do Saara revelam um mundo outrora pantanoso dividido entre algumas espécies de crocodilos diferentes e talvez inteligentes, disseram pesquisadores nesta quinta-feira. As novas espécies - identificadas por apelidos: CrocJavali, CrocRato, CrocCão, CrocPato e CrocPanqueca - podem ajudar a entender por que os crocodilianos foram e continuam sendo uma forma tão bem-sucedida de vida. [Só para lembrar: para que animais sejam fossilizados, é preciso que sejam imediatamente sepultados por água e lama. Isso sugere um cenário catástrófico e não simplesmente um "mundo pantanoso".]

"Eles viveram durante o Cretáceo - 145 a 65 milhões de anos atrás [sic] - quando os continentes ainda estavam unidos e o mundo era mais quente e úmido que hoje. 'surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar', disse o paleontólogo Hans Larsson, da Universidade McGill, de Montreal, que participou do estudo. 'Cada crocodilo aparentemente tinha dietas e comportamentos diferentes. Parece que eles dividiram o ecossistema, com cada espécie tirando proveito dele à sua própria maneira.' [Será que dividiam o ecossistema ou os cadáveres foram transportados para aquele local - hoje deserto - por algum evento catastrófico?]

"Com verba da National Geographic, Larsson e Paul Sereno, da Universidade de Chicago, estudaram mandíbulas, dentes e os poucos ossos disponíveis dos animais. Também fizeram tomografias computadorizadas para olhar dentro dos crânios. Duas das espécies - o CrocCão e o CrocPato - tinham cérebros diferentes dos crocodilos modernos. 'Eles podiam ter uma função cerebral ligeiramente mais sofisticada do que os crocodilos (atualmente) vivos, porque a caça ativa sobre a terra habitualmente exige mais poder cerebral do que simplesmente esperar que a presa apareça', disse Larsson em nota." (...) [Por que eles teriam deixado de caçar para simplesmente "esperar que a caça apareça"? Qual a vantagem de assumir esse comportamento e ter a capacidade cerebral diminuída supostamente por causa disso?]

Juventude espiritual

Adolescentes e jovens não se interessam em igreja e religião. Essa impressão às vezes leva os pais e líderes espirituais a coçar o queixo, franzir a testa e declamar discursos de ordem. Porém, isso pode refletir muito mais a realidade dos adultos e seu próprio desinteresse. É o que revela uma pesquisa entre adolescentes e jovens norte-americanos, realizada pelo Barna Research Institute.

Segundo a pesquisa, os adolescentes e jovens vão mais à igreja do que os adultos e participam mais de reuniões de pequenos grupos. Apesar disso, eles oram menos que os adultos e leem menos a Bíblia (10% menos, em ambos os casos). O que a juventude mais espera em relação à igreja (45%) é “louvar e ter uma experiência de comunhão com Deus”. Conhecer melhor as próprias crenças é a segunda principal preocupação desse grupo (42%). Entre as preocupações menos importantes, estavam participar de um grupo de estudos (19%) e estudar a Bíblia (18%). [Leia mais]

Violações de direitos humanos no Irã

O cidadão que vive em um país livre e democrático, como o Brasil, tem a obrigação moral de ser solidário para com as pessoas que sofrem nas mãos de governos desumanos, cruéis e que não respeitam a universalidade dos direitos humanos. Gravíssimas violações de direitos humanos praticadas no Irã desde a Revolução de 1979 permaneceram praticamente desconhecidas da sociedade brasileira. Nem mesmo a Resolução da ONU de 2008, que condenou o Irã por tais desatinos, mereceu a devida consideração. As recentes eleições iranianas para presidente, contudo, precipitaram a revelação de informações outrora ignoradas pelo grande público. Graças à internet, imagens de protestos populares, duramente reprimidos pelo governo, espalharam-se ao redor do mundo e foram retransmitidas por diversas emissoras de televisão. Assim, ficou patente a inexistência de liberdade de imprensa no território iraniano. Outros problemas logo vieram à tona.

No Irã, os direitos das mulheres são constantemente violados, com o pretexto do relativismo cultural. Além disso, não há liberdade de consciência e de crença. Minorias privadas do direito fundamental à liberdade religiosa são duramente perseguidas. Sete líderes Bahá’ís, falsamente acusados de espionagem, estão presos em Teerã. Eles aguardam o julgamento através de processos judiciais sem publicidade e direito de defesa. A comunidade Bahá’í do Brasil teme que esses líderes espirituais possam ser sentenciados à morte a qualquer momento. Também há notícias de que alguns cristãos estão presos nas mesmas circunstâncias. No dia 18 de novembro de 2009, duas cristãs convertidas do islamismo, Maryam e Marzieh, foram libertadas da prisão, após meses de sofrimentos e maus-tratos. O aprisionamento arbitrário dos líderes religiosos no Irã reflete a intolerância no contexto teocrático em que a lei do Estado se confunde com a religião.

Durante visita oficial aos Estados Unidos, antes da sua reeleição, o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi questionado sobre a eliminação de homossexuais no Irã. A resposta foi incisiva: “No Irã, não temos homossexuais como em seu país.” É verdade, uma vez que todos eles são sumariamente enforcados assim que descobertos. Isso é que é “homofobia”!

O Brasil não pode ser omisso em relação a essas gravíssimas violações de direitos no Irã. Os atos do nosso chefe de Estado, presidente da República, e, também, dos nossos representantes diplomáticos estão vinculados à Constituição Federal de 1988. Segundo esse nosso Documento Maior (art. 4º), o Brasil rege-se nas suas relações internacionais pela prevalência dos direitos humanos e pelo repúdio ao terrorismo. O dever de não intervir (“não-intervenção”) do Estado Brasileiro deve ser afastado nesses casos em que há graves violações de direitos humanos.

Nossos representantes diplomáticos na ONU se abstiveram na votação da resolução que condenou o Irã por violações de direitos humanos. Como Pilatos, eles lavaram as mãos. A sociedade civil, contudo, acredita nas instituições brasileiras e, sobretudo, no compromisso democrático que vincula o governo à prevalência dos direitos humanos e ao repúdio do terrorismo. Execuções públicas e enforcamentos que ocorrem no Irã podem ser classificados como atos de terrorismo estatal.

É muito fácil condenar os horrores praticados no passado, como o holocausto de seis milhões de judeus nos campos de concentração nazistas, mas, no geral, poucos se dispõem a censurar as atrocidades atuais. Esse certamente não é o caso da Frente pela Liberdade no Irã, um grupo pluralista de cidadãos que lançou, em 15 de novembro, o manifesto pela liberdade no Irã.

A sociedade civil brasileira encontra-se, hoje, numa posição pouco confortável diante da visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, programada para o dia 23 próximo. Certamente, ela não poderá ficar omissa diante dessas gravíssimas violações de direitos humanos. A comunidade internacional também não pode ficar insensível diante de tantos sofrimentos impostos ao povo iraniano.

(Aldir Guedes Soriano, advogado e vice-presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa)

O código da inteligência

Augusto Cury desenvolveu uma teoria e a nomeou de “Código da Inteligência”. Segundo ele, o objetivo “é disponibilizar ferramentas para estimular o debate de ideias, para que os leitores aprendam a atuar em seu psiquismo, a desenvolver consciência crítica, proteger sua emoção, tornarem-se gestores da sua mente e serem capazes de expandir seu potencial intelectual e prevenir transtornos psíquicos”. No livro O Código da Inteligência, ele nomeia e discorre sobre os tipos de inteligência e comenta como alguns ilustres personagens como Einstein, Freud e Jesus Cristo lidaram com as adversidades.

Segundo Cury, Einstein e Freud souberam criar e explicar teorias e problemas muito bem, porém, sofriam com seus próprios conflitos existenciais. Einstein abandonou um filho quando ele mais precisava dele, e Freud não suportou as críticas que surgiram dentro do ninho psicanalítico, nem admitiu ser confrontado por seus íntimos.

O que o autor fala de Jesus Cristo?

Segue a narrativa de parte das páginas 43 e 44: “E o mestre dos mestres, Jesus Cristo, decifrou esses códigos? Ele falhou nos focos de tensão quando o mundo desabava sobre ele? Como lidou com os opositores que surgiram ao redor de sua mesa? Tentei, através da análise crítica, derrubar o mito Jesus, mas esse homem me assombrou. No último jantar, ciente de que morreria do modo mais inumano possível no dia seguinte, decifrou o código da proteção da emoção e do gerenciamento dos pensamentos. Por isso, para assombro da psicologia, conseguiu ter apetite em uma situação na qual qualquer um teria anorexia. Nesse jantar, anunciou que alguém o trairia, mas não o identificou. Pela proximidade de sua morte, sua tolerância e generosidade deveriam estar tragadas pelas ‘janelas killers’ do medo e da angústia, mas decifrou o código do altruísmo, da resiliência, do carisma e da capacidade de se doar sem esperar retorno. Somente isso explica porque em vez de expor publicamente a traição de Judas Iscariotes, o protegeu e, ainda por cima, deu um pedaço de pão a ele. Seguro, disse-lhe: ‘O que tendes de fazer, faze-o depressa.’ Não tinha medo de ser traído, mas de perdê-lo. Diferente de Freud, ele incluiu, abraçou e respeitou quem O decepcionou ao máximo.”

(Colaboração do leitor Diogo Furlan de Oliveira)

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

“Minissaia” escandalosa dos colegas da Geisy e da mídia

É evidente que a turba que hostilizou a moça da minissaia provocante foi por demais abusiva, além de hipócrita, semelhante aos “donos” da Igreja no tempo de Jesus que queriam que a mulher adúltera fosse apedrejada, instigando Jesus a aprovar isso, quando vários deles haviam abusado sexualmente dela, e agora hipocritamente queriam sua condenação e morte. Jesus, percebendo o jogo maldoso dos safados, mandou que o que não tivesse nenhum pecado atirasse a primeira pedra na moça. Jesus, mesmo sabendo que ela havia cometido pecados explícitos, não a condenou, a perdoou, a protegeu dos hipócritas adúlteros, e disse que ela poderia ir, com uma recomendação: não cometer mais aqueles pecados.

Na “lógica” das ideias anárquicas atuais, a frase de Jesus “Vá e não peque mais” seria condenada por feministas e “modernos” que diriam ser “preconceituosa”. Talvez aquela juíza diria: “Ele discriminou a mulher porque está dizendo ser ela pecadora!”, e a jornalista diria: “Ele é preconceituoso pois quer tirar a liberdade dela de fazer o que ela quer na vida!”

Um apresentador da TV Record perguntou por que Geisy só usava aquele tipo de roupa. Ela respondeu: “Acho que um vestido em uma mulher é extremamente feminino. Minha roupa só diz respeito a mim, respeito todo mundo e quero ser respeitada.” Segundo o jornalista Michelson Borges, com o qual concordo, “aqui está o primeiro erro da moça: aquilo que fazemos em público e a roupa que usamos não diz respeito apenas a nós, mas transmite uma mensagem a nosso respeito e provoca reações em quem nos observa”.

Michelson explica: “Cientistas analisaram o cérebro de homens enquanto eles olhavam para a foto de uma moça de biquíni, e descobriram que as seções do cérebro que reagem a objetos ficaram mais ativas. A parte do cérebro responsável pela interação social foi desativada quando os voluntários foram expostos à foto... eles não estavam interessados em se relacionar com a mulher da foto. Apenas pensavam nela como uma ‘coisa’. Susan Friske, da Universidade de Princeton, que conduziu os estudos, afirmou que os homens não veem mulheres sensualizadas como humanas. ‘É claro que eles sabem que a modelo da foto é humana, mas é a reação deles a ela que é comparada com a reação diante de um objeto’, explica. Para Friske as constantes aparições de mulheres seminuas, na sociedade e na mídia, é que são as grandes responsáveis por esse tipo de reação. ‘É como a violência na televisão. Estamos tão acostumados que acabamos ficando insensíveis, amortecidos. Não nos chocamos mais’, compara a professora. ‘Vemos muitas mulheres seminuas. Ficamos acostumados com isso’, completa.”

A banalização do corpo humano, da sexualidade, das relações afetivas, favorecem a animalidade nas relações sociais. A mídia contribui para isso. Agora estão “usando” a jovem da minissaia rosa-choque em programas de TV, propostas para posar nua em revistas, e sabe lá mais o quê. A mídia quer protegê-la? Não foi a própria mídia que disse que ela foi vítima de preconceito? Agora quer aumentar a audiência e vender produtos usando a imagem dela? Será que essa “minissaia” contraditória da mídia e do grupo que a hostilizou na universidade não é pior do que a atitude dela de se expor ousadamente em público? Haja hipocrisia e atitudes paradoxais! Não é uma loucura legalizada? E em rede nacional?

Você, garota, que expõe demais o corpo, atrai rapazes, cede ao sexo, e o que ganha em geral? Orgasmo, rapaz “fissurado” no seu corpo, talvez um bebê, abortos, interrupção dos estudos por gravidez, tensão na família, dor... No Brasil, em 1992, houve 1.455.283 abortos induzidos (quase 4 mil por dia). Em 1996, houve 1.066.993 (2.923 por dia). Em 2005, houve 1.054.242 (2.888 por dia); três em cada quatro ocorreram na região nordeste e sudeste.

Nem eu a condeno. Vá e não peque mais. Proteja a si mesma de seus próprios impulsos eróticos de forma e/ou em local inadequados e proteja-se dos que prometem amor e só querem usá-la para o prazer físico deles. Transar é fácil, o difícil é amar. Será que um dia a mídia vai ensinar as pessoas a amar?

(Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, www.portalnatural.com.br)

TV em excesso e mau comportamento de crianças

Quanto mais tempo uma criança de três anos de idade passa em frente à TV, maiores são suas chances de se comportar agressivamente, segundo estudo publicado na edição de novembro da revista médica Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine. Avaliando mais de 3 mil mulheres de 20 cidades americanas que tiveram filhos entre os anos de 1998 e 2000, os pesquisadores notaram também que mais de dois terços das mães relataram que os filhos assistiam mais de duas horas de TV por dia, com média de três horas diárias. [Leia mais]

Acesso livre - como usar a internet

Quando a internet surgiu, lá pelos anos 70 e 80, muitas pessoas anunciaram o início de novos tempos. Falava-se que ninguém mais sairia de casa para fazer compras nem ir ao banco, que a vida social das pessoas seria absolutamente comprometida. Pode parecer confuso, mas tudo isso é e não é verdade. Por meio da internet, você pode estudar, fazer amigos (MSN, Orkut e Skype que o digam), ganhar um espaço, ficar informado, trabalhar. É um universo fascinante. Você clica aqui, clica ali... e acessa o mundo, em qualquer lugar ou hora. O Marechal Rondon, reconhecido “Patrono das Comunicações Nacionais”, ficaria surpreso com a comunicação digital. No Brasil, segundo a Agência Estado, “o número de internautas residenciais que utilizaram a internet em abril de 2006 atingiu 13,4 milhões de pessoas”. Se você levar em consideração a população brasileira (estimativa de 182 milhões até o fim deste ano, segundo o IBGE), o número de usuários da internet não é tão assustador. No entanto, é bom lembrar que a maioria desses usuários é jovem. [Leia mais]

Turma da Mônica tem seu primeiro personagem gay

A diversidade sexual chegou aos quadrinhos da Turma da Mônica. A 6ª edição da revista Tina, já nas bancas, mostra ao público o primeiro personagem gay criado pela equipe de Maurício de Souza. Na história, Caio é o melhor amigo de Tina e deixa outros personagens surpresos quando se diz comprometido, apontando um outro rapaz. Tina, criada nos anos 60 e que hoje estuda jornalismo, aproveita e faz um discurso contra o preconceito. Caio, aos poucos, vai ganhar mais espaço nas histórias. Em outras publicações Maurício de Souza já deu outros passos para acabar com o preconceito. Já foram criados personagens deficientes visuais e cadeirantes.

Segundo o blog Universo Mix, "de acordo com a assessoria de Maurício de Sousa, é a primeira vez que o assunto é abordado abertamente nas histórias. Na Turma da Mônica Jovem, no entanto, a personagem Denise utiliza-se de várias gírias adotadas – também – pelos gays. O próprio Maurício afirmou que Denise poderia ter um amigo gay e assimilado o vocabulário dele. Tina é uma personagem que foi criada nos anos de 1960, inicialmente com um visual hippie, e agora é estudante de jornalismo e suas histórias são voltadas para um público mais adolescente".

Nota: Além da bruxaria e do sensualismo, Maurício parece disposto a tornar “normais” na mente dos seus leitores outros tipos de comportamento.[MB]

Leia também: “Quadrinhos: janela para uma sexualidade distorcida”

Falando em homossexualismo, aproveite e dê o seu voto contra o totalitarismo gay. Clique aqui.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

O homem é monógamo

Como criacionista, minha maior discórdia com os que advogam a macroevolução não resulta das diferenças diametrais entre as conclusões morais consequentes de cada uma dessas duas cosmovisões (tratarei dessas diferenças no fim do texto). Minha maior incompatibilidade com eles, incompatibilidade que por vezes beira a aversão, é de natureza argumentativa. Mais especificamente me refiro a um tipo de artifício por eles empregado ao formularem suas ideias. Como a evolução é aceita hoje como um fato, qualquer explicação que a tenha como partida apresenta boa possibilidade de ser aceita como verdade. A psicologia evolutiva é um caso típico – e escabroso.

Dia desses, eu falava a um amigo que não existe melhor ocupação que a de psicólogo evolutivo: não é preciso lá grande rigor técnico, basta que sua formulação, embora sem bases epistêmicas, apresente alguma coerência – e voilá! – o dogma evolucionista oferece o alicerce de justificação teórica, e a proposição psicológico-evolutiva ganha espaço em jornais, blogs e revistas.

Essa distorção lembrou minhas aulas de Metodologia Científica. Nosso professor era taxativo: “Lembrem-se sempre disso! Escrevam-no na testa e nas mãos! Em pesquisa científica, deve-se privilegiar o árido método em detrimento da aconchegante hipótese, mesmo quando aquele invalida essa!” Bingo, saudoso mestre!

Por isso, surpreende-me às vezes que um biólogo macroevolucionista busque testar suas hipóteses a partir de um estudo objetivo de campo em vez de tecer ilações a partir dos pressupostos do naturalismo filosófico contrabandeado no bojo da ciência.

Em outubro de 2005, o famoso zoólogo Desmond Morris, autor de livros como O Macaco Nu, falou ao jornalista Luis Amiguet, do La Vanguardia, na cidade de Barcelona. Seguem alguns trechos da entrevista traduzida e publicada na Folha On-Line (os destaques em negrito são de minha iniciativa):

LV: [O senhor] não tentou a poligamia habitual entre nossos irmãos primatas?

Morris: O homem na realidade é monógamo.

LV: Mesmo que guarde sua monogamia em segredo?

Morris: Você crê que é uma ironia, mas acaba de dizer uma grande verdade. Em muitas culturas o poderoso é obrigado a ser polígamo, porque a posse de muitas esposas é um sinal de status. Mas embora haja muitas concubinas sempre existe uma favorita: isso em pureza zoológica se chama monogamia.

LV: Ou seja, essa história de “duas mulheres ao mesmo tempo” é biologicamente improvável.

Morris: Pode haver duas mulheres ao mesmo tempo, mas na realidade há uma esposa e a outra. Sempre há uma que é A mulher. A outra tem um papel secundário que complementa mais ou menos o homem, mas seu investimento emocional, o homem o realiza só em uma mulher, uma companheira, embora :seja claro que esse lugar prioritário em seu afeto e sua economia possam ser ocupados por diversas mulheres sucessivamente.

LV: Por que somos seres de uma só mulher?

Morris: Porque só podemos nos ocupar realmente de uma prole, mesmo que possamos ter engendrado várias. E a natureza hierarquiza nossa dedicação para otimizar as possibilidades de êxito sucessório.

LV: Nunca houve um polígamo de verdade?

Morris: Eu e minha equipe de pesquisadores e antropólogos procuramos por todo o planeta pelo menos um caso de poligamia real, quer dizer, um polígamo que desse exatamente o mesmo tratamento a todas as suas fêmeas e aos descendentes que tivesse com cada uma.

LV: E...?

Morris: Não encontramos. Filmamos um famoso bruxo e cantor de rock nos Camarões que tinha chegado a colecionar 58 esposas...

LV: Deve ter sido terrível, coitado.

Morris: ...mas sempre tinha uma favorita.

LV: Ela. Sempre ela.

Morris: ...embora nosso bruxo roqueiro realizasse uma festa de casamento gigantesca cada vez que mudava de favorita.

LV: Como tantas celebridades do rock.

Morris: E todas as garotas do coro estavam casadas com ele! Na realidade era monógamo, mas para aparentar diante da tribo o pobre homem era obrigado a parecer polígamo.

LV: Extenuante.

Morris: A mesma coisa aconteceu com um rei do Taiti que pesquisamos: chegou a ter 28 esposas espalhadas pela ilha, cada uma em sua casa. Mas sempre havia uma com a qual passava mais tempo e cuja prole protegia com mais dedicação e recursos. O homem pode ter muitas companheiras, mas uma única dona.

*****

Apesar de discordar de partes dessa entrevista e do conjunto da obra de Morris, em especial do livro que ele divulgava à época, A Mulher Nua, não pude deixar de reconhecer-lhe a honestidade metodológica e também, por que não dizer?, sua honestidade moral. Embora encilhado com os arreios materialistas, a íntegra de sua entrevista é um maravilhoso encômio ao que possa haver de amor e pureza nas relações afetivas entre homens e mulheres.

Agora voltemos à fealdade destes nossos dias bicudos. Em Nuremberg, os acusados defendiam-se alegando estarem apenas cumprindo ordens. Imagino um adepto – sincero ou oportunista – das ideias de antropólogos como Jane Lancaster. Imagino o sujeito flagrado com as calças literalmente na mão: “Mas, meu bem, eu estava apenas cumprindo meu código genético!” Mais um pouco e estupradores vindicarão essa tese nos tribunais.

Certo, certo, nem todos os evolucionistas defendem a Síntese Evolutiva Moderna como jurisprudência biológica para a prática de atos socialmente reprováveis. Mas há um atrativo irresistível nas pretensões materialistas. Somando pragmatismo ao relativismo, o homem de hoje sente-se desobrigado de carregar o fardo das responsabilidades morais. Talvez isso explique o pouquíssimo apuro inquisitivo dos que recebem como verdadeiras as mirabolantes afirmações da doxa macroevolucionista.

(Marco Dourado, formado em Ciência da Computação pela UnB, com especialização em Administração em Banco de Dados)

A cara do Brasil

Outro dia, ao chegar ao Rio de Janeiro, tomei um táxi. O motorista, jeito carioca, extrovertido, foi logo puxando papo, de olho no retrovisor.

– A senhora é de Brasília, não é?

– Sim – respondi.

– É, eu a reconheci. E como é que a senhora aguenta conviver com aqueles ladrões lá do Planalto Central? Não deve ser moleza.

O sujeito disparou a falar de políticos, do tanto que eles são asquerosos, corruptos... Desfiou um rosário de adjetivos comuns à politicagem nacional.

Brasília é o palco mais visível dessas mazelas e nem poderia deixar de ser. Afinal, o país inteiro olha para lá. O taxista era só mais um crítico, aparentemente atento. E ele sabia dar nomes aos bois que pastavam tranquilamente no orçamento da união, que se espreguiçavam impunemente sob a sombra da imunidade parlamentar ou de leis feitas em benefício próprio. E que, de tempos em tempos, se refrescavam nas águas eleitoreiras.

O carro seguia em alta velocidade; a distância parecia esticada. Vi uma bandeira três em disparada.

Lá pelas tantas, quando já estávamos dentro de um segundo túnel escuro, o condutor falante sugeriu um “dia sem corrupção”.

– Já pensou – disse ele – se uma vez por ano esses homens não roubassem?

– Interessante – a exclamação me escapou aos lábios.

– Sim – continuou entusiasmado –, seria uma economia e tanto.

Nessa hora, me dei conta de que estávamos percorrendo o caminho mais longo para o meu destino. Chegava a ser irracional a quantia de voltas para acertar o rumo. Deixei.

– Os economistas comentam – tagarelava ele – que somos um país rico. Não deveria existir déficit da previdência, os impostos nem precisariam ser tão altos, o serviço público poderia ser de primeira. O problema é que quanto mais se arrecada, mais escorre pelo ralo, tamanha a roubalheira.

Tão observador, será que ainda se lembrava em quem tinha votado para deputado ou senador na última eleição? Fiz a pergunta e, depois de algum silêncio, a resposta foi não. Pena.

Caímos num engarrafamento, cenário perfeito para aquele juiz de plantão tecer mais comentários sobre o malfeito.

– Veja como são as coisas, os riquinhos ociosos da Zona Sul, que deveriam pensar em quem tem pressa, acham que são os donos do pedaço e vão embicando seus carros, furando fila, costurando de uma faixa a outra, querendo levar vantagem. A gente, que é motorista de táxi, tem que ficar atento, porque os guardas estão de olho, qualquer coisinha eles multam. Mas eles fazem vista grossa para as vans que transportam pessoas ilegalmente. Elas param onde querem, estão tomando os nossos passageiros. Como não tem ônibus para todo mundo e táxi fica caro, muita gente prefere ir de van.

Por falar em “caro”, a interminável corrida já estava me saindo um absurdo... Resolvi pontuar algumas coisas.

– Por que o senhor escolheu o caminho mais longo?

Ele tentou se justificar:

– É que eu estava fugindo do congestionamento.

– Mas acabamos caindo no pior deles – retruquei. – E por que o senhor está usando bandeira três se não tenho bagagem no porta-malas nem é feriado hoje? – continuei questionando.

Ele disse que estava na três para compensar a provável falta de passageiro na volta. Claro que não, eu sabia.

Finalmente, consegui chegar ao endereço pretendido. Fiz mais um teste com o “probo” cidadão: paguei com uma nota mais alta e pedi nota fiscal. Ele me devolveu o troco a menos e disse que o seu talão de notas havia acabado.

Veja como são as coisas, seu moço – emendei. – O senhor veio de lá aqui destilando a ira de um trabalhador honesto. No entanto, se aproveitou do fato de eu não saber andar na cidade, empurrou uma bandeirada, andou acima da velocidade permitida, furou sinal, deu voltas, fingiu que me deu o troco certo e diz que não tem nota fiscal!

O brasileiro esperto quis interromper, mas era minha vez de falar.

– O senhor acha mesmo que ladrões são aqueles que estão em Brasília? Que diferença há entre o senhor e eles?

Eu sabia que estava correndo risco de uma reação violenta, mas não me contive. Os “homens” do Planalto Central são o extrato fiel da nossa sociedade. Quantos taxistas desse porte vemos dirigindo instituições? Bons de discursos... Na prática...

Desembarquei com a lição latejando em mim. Quantas vezes, como fez esse taxista, usamos espelho apenas como retrovisor para reter histórias alheias? Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão? Onde as escondemos que não aparecem no espelho?

Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos. Ainda sonho com um Brasil de cara nova... A começar por minha própria cara.


(Delis Ortiz é jornalista, repórter especial da TV Globo, em Brasília. É membro da Igreja Presbiteriana do Planalto. Publicado no site da Editora Ultimato)

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Redes sociais a serviço do ensino

Mais de 5 milhões de estudantes brasileiros já pertencem a uma rede social na internet, como o Facebook ou o Twitter. A novidade é que, agora, parte deles começa a frequentar esses círculos virtuais estimulados pela própria escola - e com fins educativos. Alguns colégios, a maioria particular, fazem uso simples de tais redes, colocando ali informações como calendário de aulas e avisos. Muitas vezes, incluem ainda exercícios e o conteúdo das aulas, recurso que vem se prestando a aproximar os pais da vida escolar. O maior avanço proporcionado por esses sites, no entanto, se deve à possibilidade que eles abrem para o aprendizado em rede - o que já acontece há mais tempo, e com sucesso, em países como Japão e Inglaterra. No espaço virtual, os alunos debatem, sob a supervisão de um professor, temas apresentados na sala de aula e ainda, de casa, podem tirar dúvidas sobre a lição.

O Twitter está sendo também adotado nas escolas por uma de suas particularidades: como nenhum texto ali pode ultrapassar 140 caracteres, os alunos são desafiados a exprimir ideias com concisão - habilidade revelada por grandes gênios da história e tão requerida nos tempos modernos. (...) Entre os sites de relacionamento, o Twitter agrada às escolas justamente por preservar, ao menos em parte, a privacidade dos alunos: é preciso nome de usuário e senha para tomar parte dos encontros on-line promovidos pelo colégio. Todo o conteúdo que resulta daí, porém, fica disponível na internet e qualquer um pode ver. (...)

Para executar tarefa de tamanha complexidade, antes de tudo é necessário que as escolas disponham de uma equipe de professores bem treinados, artigo raríssimo num país que acumula tantas deficiências nesse setor [o Brasil]. Por completa inexperiência, muitos deixam os computadores acumulando pó e, quando fazem uso deles em sala de aula, é para dar burocráticas lições de informática. Há, portanto, um gigantesco caminho a percorrer - e isso deve ser feito logo.

(Veja.com)

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Domingo, Novembro 15, 2009

Pedaço de pão impede LHC de ser usado (de novo)

No ano passado, a mídia fez grande estardalhaço em torno da inaguração do Large Hadron Collider (LHC), um enorme acelerador de partículas que, segundo diziam, poderia recriar o "estado inicial do Universo" dentro de um túnel de 6 bilhões de dólares. Mas toda essa empolgação foi por água abaixo graças a uma peça mal colocada que forçou o cancelamento do experimento. Na semana passada, ocorreu outro acidente bem inusitado. Segundo o site da revista Superinteressante, "bastou cair um pedacinho de pão dentro do circuito do LHC para que o gigantesco acelerador de partículas desligasse completamente. O pior é que nem dá para culpar aquele funcionário desavisado por ter deixado cair o sanduíche de mortadela na máquina: de acordo com o jornal The Register, o desligamento do LHC é obra de um passarinho, coitado, que perdeu seu almoço lá dentro. O farelinho causou um superaquecimento no setor 81 da máquina, que deve ficar em manutenção por algum tempo depois do 'incidente'. Para os responsáveis pelo projeto, é normal que pequenos transtornos como esse ocorram de vez em quando, por causa do tamanho do acelerador". [Hum... é tanto problema que nem parece mais tão normal...]

É bom lembrar que em setembro, quando foi reativado, o circuito elétrico da máquina deu pau e destruiu centenas de metros de ímãs internos. O retorno à experiência estava prevista para o fim deste mês, mas, segundo a Super, o "bombardeio de pão" deve atrasar os planos.

Leia também: "Big Bang recriado: alarde falso" e "Erro humano paralisa 'máquina do Big Bang'"

Projeto Atlanta: Colômbia (parte 3)

Chegar a Medellin foi um sonho. Ver que todos os prognósticos sobre a impossibilidade de alcançar essa cidade pedalando falharam, foi simplesmente magnífico. Em Medellin temos uma importante Clínica Médica e a Universidade Nacional Adventista da Colômbia (Unac). Na Clínica, conheci o Dr. Miguel Moreno, o diretor, que me prestou tremendo auxílio. Apresentou-me a pastores da universidade os quais me abriram espaço para testemunhar ao corpo de alunos desse centro de ensino. Eles disseram ser “impossível” o que estou fazendo. Alguns falaram ser difícil crer em tudo o que já fiz e me proponho a realizar. Esta maratona esportiva e missionária até Atlanta é, segundo a opinião de muitos alunos e professores, completamente inconcebível. Algo meio “louco” de se realizar.

Por que não ir de moto, de avião, de carro, de navio? São tantas as maneiras que se tem para viajar aos Estados Unidos e resolvo ir de bicicleta?! Apenas aqueles que são mais curiosos e tomam tempo para me perguntar e ouvir a razão por que estou viajando assim, é que acabam por entender e mesmo se motivam a apoiar de alguma forma.

A realidade é que a fé que me sustenta a manter esse tipo de ministério assusta alguns. Até a mim mesmo. Após planejar e iniciar uma viagem, mesmo quando todas as promessas de patrocínio falham, como tem ocorrido até agora, eu prossigo até concluí-la, tão-somente movido por uma força que não vem de mim. Essa é a razão por que tenho avançando em meio às guerrilhas da Colômbia, mantendo no coração uma fé quase infantil de que Deus me guardará.

De tanto falar assim, fui advertido por um pastor aqui da universidade que me disse para não confundir confiança em Deus com presunção. Ele assim se expressou: “Uma coisa é você crer e confiar na proteção de Deus. Outra é você se lançar contra o perigo na ‘presunção’ de que Deus tem obrigação de salvá-lo. Você precisa tomar um avião aqui de Medellin até o Panamá. Não continue mais cometendo esse erro de viajar sozinho de bicicleta por essas estradas desertas. Caso não possa tomar um avião, vá de ônibus, que não deixa de ser arriscado, porem o risco é menor.”

Lógico que o nobre pastor falava pensando que eu dispunha de patrocínio e recursos para escolher em que viajar.

Depois outro tomou a palavra e disse: “Não haverá problema. Se ele crê que Deus o protegerá em qualquer situação, isso de um modo ou de outro acontecerá. Vamos deixar que avance e ver no que vai dar. O que podemos fazer é orar. Eu mesmo tive que negociar com as Farcs por seis meses a libertação de um pastor nosso sequestrado por essa gente. O coitado voltou cheio de traumas e até hoje não vive bem. Há muita gente boa nas mãos desses homens, vivendo sob condições terríveis. Alguns há décadas que não veem suas famílias.”

Imagine como ficou minha cabeça após ouvir essas opiniões. Elas me serviam para duas coisas: (1) colocar-me medo e conscientizar-me do perigo que corro; (2) por não poder pagar avião ou ônibus, avançar esperando um milagre e, por ele, chegar mais perto de Deus.

Assim, após os compromissos missionários na Universidade Nacional Adventista da Colômbia, saí escoltado pelo carro de um pastor por uns 25 km, até chegarmos na entrada de um túnel. Aí paramos e oramos. O pastor regressou com sua família a Medellin e eu prossegui rumo à “boca do leão”.

A primeira cidade a alcançar seria Santa Fé. Por uma graça, cheguei em paz. A segunda, Dabeiba, mais de 100 km à frente, também alcancei sem problemas. A terceira, Chigorodo, também com outros 120 km a percorrer.

Foi quando saí de Dabeiba, rumo a Chigorodo, que não me senti muito bem. Havia um deserto grande entre os povoados. Poucos carros passando. Várias motos e selva de todo lado. Eu estava exatamente passando na região onde um pastor nosso foi levado pela guerrilha. Realmente minha situação estava preocupante. Eram quase duas da tarde quando me encontrava em um trecho bem isolado, cercado de floresta densa por toda parte. Algo parecido com a selva amazônica ou a mata atlântica. Uma região cheia de morros e planaltos, bem inacessível. Ótima para se manter qualquer esconderijo.

Foi nessa parte da estrada entre Dabeiba e Chigorodo que, olhando à frente, a uns 200 metros, percebi um grupo de quatro homens. Eles estavam na entrada que dava acesso a uma ponte. Exato lugar por onde eu tinha que passar. Minhas batidas do coração aumentaram em segundos. Senti o perigo à frente. Não havia para onde correr porque já tinham me visto. No entanto, quando estava a uns 50 metros, passou uma moto por mim. Logo o piloto precisou diminuir a velocidade para subir na ponte. Quando fez isso, dois dos rapazes o seguram e ele foi obrigado a descer. Observei dinheiro sendo passado entre eles. Pareciam estar cobrando um pedágio. Aproveitando o envolvimento daqueles homens com o motoqueiro, busquei passar pelo outro extremo da ponte. Nesse instante, ao levantar os olhos à frente, vi dois soldados do exército colombiano descendo para onde estávamos. Eles chegaram no momento exato de me permitir passar incólume pela ponte. Cumprimentei-os com um aceno de cabeça e arranquei com a “gorducha” em velocidade máxima e sem olhar para trás.

Quilômetros depois, após recuperar-me do susto é que fui pensar nas consequências de ser identificado como estrangeiro nesta região da Colômbia.

Estou certo de que foi a mão de Deus que me guiou em paz até este momento por estas terras tão lindas e perigosas. Aqui, ao mesmo tempo em que as belezas nos fascinam, os perigos nos lapidam a alma. Com certeza, há um grande espaço vazio no Céu, porque os anjos de Deus estão aqui. Por isso prossigo e no fim da tarde chego a Chigorodo. Falta-me Apartado e Turbo, as duas ultimas cidade que ainda têm estradas para seguir viajando neste país.

Depois, precisarei cruzar o estreito de Darien e viajar por barco pelas águas do mar azul-turquesa do Caribe para alcançar finalmente a primeira cidade do Panamá. Sim, isso é o que veremos na parte 4 deste relato.

Bom, será que você já pode perceber por que digo que Deus está aqui? Se entendeu, venha comigo, pois Atlanta ainda está muito longe e teremos bons momentos juntos.

Um abraço e até breve.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

Nota: O Atleta da Fé, George Silva, está enfrentando grandes dificuldades financeiras para prosseguir nessa missão esportivo-evangelística e precisa urgentemente fazer uma revisão na bicicleta. Ele não me pediu isso, mas eu convido: se você puder colaborar de alguma maneira, escreva para ele: georgepalestras@yahoo.com.br

Blecaute abençoado

Quando a luz dos homens apaga, a luz de Deus acende. Saulo precisou ficar cego em sua caminhada, rumo a Damasco, para ver a iluminação divina. Sua cegueira humana transformou-o em Apóstolo Paulo e, de perseguidor, passou a pregador. O blecaute ocorrido na última terça-feira foi um exemplo de escuridão iluminada.

Normalmente, durante a noite, as famílias estão divididas dentro de casa, mesmo que todos entejam fisicamente juntos. O olhar de cada um está fixo no aparelho de televisão. Tão próximos e tão distantes. Ninguém se olha. Todos estão preocupados com a telenovela ou com o novo namorado de alguma atriz. Esposas e maridos mal se falam. Os jovens estão em frente ao computador. Mas a escuridão da semana passada rompeu essa rotina.

Abençoado blecaute. Com a iluminação de uma vela ou lanterna, as pessoas se olharam na penumbra. Deixaram as notícias dos famosos e as histórias trazidas pela mídia, viveram a própria vida. As pessoas conversaram. Se tocaram na escuridão. Se entreolharam. Guimarães Rosa já escrevera sobre “a precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida”. É mister colocar nessa lista: “Precisamos apagar as luzes de vez em quando.”

A nova geração não sabe, mas um dos grandes programas de entretenimento que tivemos no passado foi a conversa. Sentar e contar casos e causos. Os avôs relembrando as lendas da juventude, alguma parábola, alguma fábula. Nós olhávamos para nossos pais e avós. Nós escutávamos uns aos outros. Nós olhávamos nossos ancestrais e aprendíamos com eles.

Será preciso uma queda de energia elétrica para que os seres humanos olhem seu próximo mais de perto? Muitos sabem o nome dos filhos de atores hollywoodianos, mas não sabem onde os próprios filhos estão, o que estão fazendo, o que eles pensam, o que eles querem. Muitos filhos escutam a história de qualquer um na rua, mas são incapazes de reservar um minuto para os pais. Muitos maridos sabem a vida de suas colegas de trabalho, no entanto, desconhecem os anseios e pensamentos de suas esposas. Muitas esposas, da mesma forma, sabem os sonhos de várias pessoas, mas desconhecem o desejo do próprio marido.

Por favor, apague a luz. Abra os olhos, os braços, os ouvidos, o coração. Só assim você poderá enxergam o outro e a vontade de Deus.

(Elisabete Ferraz Sanches, professora graduada em Letras pela USP, pós-graduada em Português: Língua e Literatura pela UniSant’Anna e mestranda em Literatura Brasileira pela USP)

Sábado, Novembro 14, 2009

Darwin influenciou A Grande Marcha de Mao Tse-tung

Eu [Enézio] fui ateu marxista-leininista na minha juventude. Darwin sempre foi um ídolo entre os comunistas. Razão? As ideias de luta pela sobrevivência e de que o mais apto sobrevive sempre foram faróis apontando o caminho através da revolução armada para a criação do novo homem. Aqui e ali menciono que ideias têm consequências e que Darwin serviu de influência para Hitler na questão do Holocausto. A Nomenklatura científica rejeita tais "insinuações malévolas" contra o homem que teve a maior ideia que toda a humanidade já teve: a origem das espécies através da evolução por meio da seleção natural.

James Pusey é professor de estudos chineses da Universidade Bucknell. Ele escreveu um artigo para a série "Global Darwin", na Nature de 12/11/09, sobre as reações de Lenin e Mao Tse-tung à obra de Darwin. Como era de se esperar, Pusey passa por cima das atrocidades que esses homens cometeram em nome de suas ideologias materialistas. Mas aí Pusey solta uma bomba sobre o vácuo criado na China após o movimento de reforma ter fracassado, e em seguida ele trouxe Darwin a lume:

"Muitos tentaram preencher: Sun, Jiang Jieshi (Chiang Kaishek) e, finalmente, o pequeno grupo de intelectuais que, em indignação pela traição em Versalhes, encontraram no marxismo o que parecia para eles a fé mais apta na Terra para ajudar a China a sobreviver.

"Isso não foi, é claro, toda responsabilidade de Darwin, mas Darwin esteve envolvido em tudo. Para crer no marxismo, alguém tinha de acreditar nas forças inexoráveis empurrando a humanidade, ou pelo menos os eleitos, para o progresso inevitável, através de séries de etapas (que poderiam, contudo, ser puladas). Alguém tinha de acreditar que a história era uma luta de classes violenta, hereditária (quase que uma luta 'racial'); que o indivíduo deve ser severamente subordinado ao grupo; que um grupo iluminado deve liderar o povo para o seu próprio bem; que as pessoas não devem ser humanas para com seus inimigos; que as forças da vitória asseguraram a vitória daqueles que estavam certos e que lutaram. Quem ensinou essas coisas para os chineses? Marx? Mao? Não. Darwin."

Fui, nem sei por que pensando que as ideias têm consequências. Não se esqueçam da influência de Darwin no Holocausto de Hitler...

(Enézio E. de Almeida Filho, Desafiando a Nomenklatura Cientifica)

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Neoateísmo: o novo nome da velha descrença

A revista Galileu do mês passado sem querer ajudou a reforçar o tema da minha dissertação de mestrado ao publicar o seguinte subtítulo na matéria "Deus está morto?": "Livro e filme recém-lançados engrossam o coro dos neoateístas e juntam novos argumentos contra a fé religiosa" (p. 72). A questão é: Será que o neoateísmo é toda essa novidade que a mídia vem apregoando ou se trata unicamente do velho ateísmo com seus argumentos surrados, mas agora grandemente incensados pelos meios de comunicação? A matéria (nem dá pra chamar de reportagem, pois "ouviu" apenas um lado), à semelhança de outros textos panfletários publicados nas páginas de Galileu e Superinteressante, se sustenta apenas em duas fontes: o novo livro do ateu Sam Harris, A Morte da Fé - Religião, Terror e o Futuro da Razão, e o mal educado documentário do comediante Bill Maher, Religulous - Que o Céu Nos Ajude (religulous é a mistura das palavras "religioso" e "ridículo"). Mas, afinal, esse livro e o filme trazem algo de novo à controvérsia entre ateus e teístas? Vejamos.

Pra começo de conversa, a matéria da Galileu é tremendamente ufanista e supercial, desprezando séculos de discussões teológicas e afirmando que o vídeo e o livro de Harris "têm em comum a oferta de bem-nutridos argumentos para demolir de vez o mais resistente dos mitos: Deus". E os "argumentos demolidores" são: (1) a Bíblia é ultrapassada porque, segundo eles, afirma que a Terra é plana; (2) a Bíblia não pode ter sido escrita por Deus; (3) a religião é causa de conflitos humanos passados e presentes; (4) a religião é intrinsecamente intolerante; (5) a fé não é sustentada por provas concretas.

Confesso que dá até preguiça comentar esses pontos, mas vamos lá...

1. Segundo o livro Inventando a Terra Plana, de Jefrey Burton Russel, a Bíblia não apresenta o mito da Terra plana e muito menos a tese geocentrista. Esse é um grande mal entendido histórico que os neoateus insistem em desconhecer e vivem trombeteando.

2. A Bíblia, de fato, não foi escrita por Deus. Isso é básico para quem a lê. Mas Harris escreveu: "A crença de que certos livros foram escritos por Deus (que, por motivos misteriosos, fez Shakespeare um escritor muito melhor do que Ele mesmo) nos deixa impotentes para lidar com a causa mais poderosa dos conflitos humanos, passados e presentes." Foram seres humanos que, inspirados por Deus, escreveram a Bíblia e ela própria afirma isso - mas, pelo jeito, nem Harris, nem o autor da matéria a leram. (Recomendo a leitura do texto "A Bíblia Sagrada é inerrante?")

3. Extremistas religiosos realmente fizeram coisas erradas em nome da religião. Tivemos as Cruzadas, a "Santa" Inquisição e temos os terroristas islâmicos. Mas isso não signifca que todos os religiosos sejam assassinos. Aliás, se quisermos saber o que é o verdadeiro Cristianismo, temos que conhecer a pessoa e as propostas do fundador do Cristianismo: Jesus Cristo. Ele jamais faria o que alguns têm feito em nome da religião. Na verdade, Jesus deu a vida pelos que O perseguiram. Para Harris, o antídoto para a progressão da barbárie no século 21 estaria no esvaziamento do poder ra religião. Errado. Estaria no combate aos grupos terroristas de qualquer tipo. Aliás, sempre é bom lembrar (porque a mídia secular parece esquecer) que, segundo O Livro Negro do Comunismo, os regimes comunistas ateus foram responsáveis por mais de 100 milhões de mortes, muito mais do que a Inquisição e as Cruzadas somadas. Mas isso não significa que todos os ateus e todos os comunistas sejam assassinos e que tenhamos que combatê-los. Repito: temos que combater os assassinos, quer sejam "religiosos", quer sejam ateus.

4. Intolerante é quem prega que deve existir liberdade de pensamento, desde que não seja o pensamento religioso.

5. É verdade que a fé "é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem" (Hb 11:1). Mas isso não significa que não haja evidências que substanciem essa fé. A arqueologia, por exemplo, demonstra que o pano de fundo histórico das Escrituras (que alimentam em parte essa fé) é fidedigno. Por que a mensagem religiosa desse livro também não seria confiável? Galileu sustenta que só devemos nos convencer "de que alguma afirmação é verdadeira se ela for sustentada por provas concretas" e que "fé não é nada mais que a disposição para aguardar as provas". Pois bem, então ateus e darwinistas são pessoas de muita fé. Claro, afinal, onde estão as "provas concretas" do surgimento da vida a partir da não-vida? Onde estão as "provas concretas" de que a informação complexa especificada da qual a vida depende simplesmente surgiu em algum momento? Finalmente, onde estão as "provas concretas" da não existência de Deus?

Além de comparar a fé cristã à crença em astrologia, feitiçaria e ovnis (pra variar), a matéria menciona um trecho do filme Religulous: diante de um cristão, o apresentador lança a pergunta: "Já que você sabe que vai para o Paraíso, por que não se mata?" Pois é, esse é o nível do "documentário" que serve - junto com o livro de Harris - de coluna vertebral para a matéria de Galileu.

Para encerrar, eu não poderia deixar de comentar sobre as fotos de mau gosto que ilustram a matéria, como a do crucifixo caído no chão, o menorah (castiçal) derrubado, e a pior: uma mulher deixando a burca no chão e saindo - ao que tudo indica - nua. Neste caso, Galileu vai de um extremo ao outro: do absurdo da vestimenta islâmica que isola a mulher do mundo à sugestão de que a liberdade consiste em libertinagem. São fotos grandes, duas delas de página inteira, talvez para "encher linguiça" e esticar o texto que ocuparia no máximo três páginas.

Ainda estou esperando os "argumentos demolidores".

Michelson Borges

Se você quiser se aprofundar no assunto, sugiro a leitura dos seguintes livros, entre outros que nunca apareceram nas páginas de certas revistas: Um Ateu Garante: Deus Existe, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Ortodoxia, As Grandes Questões Sobre a Fé (de Jonathan Hill), O Delírio de Dawkins, Escavando a Verdade e Por Que Creio.

O fim do mundo

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Uso exagerado de antibióticos ameaça medicina

O uso exagerado de antibióticos na Europa está produzindo resistência e ameaçando interromper tratamentos médicos vitais, como transplantes, cuidado intensivo para bebês prematuros e terapias contra o câncer, dizem especialistas em saúde. Dominique Monnet, da unidade de aconselhamento científico do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), disse que "toda a medicina moderna" está sob ameaça porque os microorganismos estão se tornando resistentes aos antibióticos, deixando as drogas sem serventia. "Se essa onda de resistência a antibióticos nos vencer, não seremos capazes de realizar transplantes, artroplastias de quadril, quimioterapia e cuidados intensivo e neonatal para bebês prematuros", disse ele a jornalistas em entrevista. [Leia mais]

Terra absorve mais gás carbônico do se pensava

Novos dados indicam que os ecossistemas e oceanos da Terra têm capacidade muito maior de absorver gás carbônico do que demonstravam os estudos científicos feitos até então. A pesquisa, feita na Universidade de Bristol, na Inglaterra, mostra que o equilíbrio entre a quantidade do gás em suspensão na atmosfera e a que é absorvida se manteve praticamente constante desde 1850, apesar das emissões causadas pelo homem. No mesmo período, as chamadas emissões antropogênicas saltaram de 2 bilhões de toneladas anuais em 1850, para 35 bilhões de toneladas anuais atualmente. Ou seja, a natureza teria absorvido virtualmente todo o excesso de gás carbônico emitido pelo homem.

Ao contrário da maioria dos estudos climáticos sobre o tema, sobretudo os que balizam as decisões do IPCC, este não se baseou em modelos de clima computadorizados [que dependem da correta alimentação de dados], mas em dados de medições históricos reais, coletados diretamente, e em estatísticas.

O estudo não é o primeiro a desafiar as conclusões do IPCC – veja, por exemplo, Métodos de monitoramento do CO2 são inadequados para um tratado internacional do clima e Novos dados exigirão alterações nos modelos climáticos do IPCC.

Até agora, os cientistas consideravam que a capacidade dos ecossistemas e oceanos em absorver o dióxido de carbono cairia conforme as emissões aumentassem, fazendo disparar o nível de gases causadores do efeito estufa na atmosfera. O novo estudo contesta esta teoria, mostrando que a Terra, até o momento, absorveu quase a totalidade dos gases de efeito estufa emitidos pelo homem.

Os pesquisadores descobriram que a taxa de aumento dos gases em suspensão na atmosfera tem oscilado entre 0,7% e 1,4% a cada década, desde 1850. Segundo o Dr. Wolfgang Knorr, coordenador do estudo, “isso é essencialmente zero”.

Para os cientistas, o trabalho é extremamente importante no debate de políticas para o controle das mudanças climáticas, já que as metas de emissão que devem ser negociadas em Copenhague, em dezembro, baseiam-se em projeções que consideram que a capacidade de absorção da Terra já se teria esgotado.

Seria então esta uma boa notícia para os líderes mundiais que deverão se reunir em Copenhague? “Não necessariamente”, responde o Dr. Knorr. “Como em todos os estudos desse tipo, há incertezas nos dados”, admitiu. “Portanto, em vez de confiar que a natureza vai nos oferecer o serviço de graça, absorvendo nosso gás carbônico, precisamos nos certificar dos motivos pelos quais a parcela absorvida não mudou”, defende ele.

Outro resultado do estudo é que as emissões resultantes do desmatamento florestal podem ter sido superestimadas em valores que variam de 18% a 75%. Esse resultado coincide com as conclusões de outro estudo que está sendo publicado na revista Nature Geoscience, no qual a equipe do Dr. Guido van der Werf, da Universidade de Amsterdam, na Holanda, concluiu que as emissões geradas pelas queimadas estão superestimadas, em alguns casos sendo calculadas como se fossem o dobro do que os dados indicam.

Recentemente, o professor Gilberto Câmara, diretor do INPE, chamou a atenção para um problema relacionado, afirmando que os dados sobre emissão de CO2 pelo desmatamento são chutados.

(Inovação Tecnológica)

Nota: Esse estudo tem aparentemente duas implicações interessantes: (1) mostra que os dados da ONU com respeito às emissões antropogênicas estão sendo usados com fins políticos, sem unanimidade científica (leia sobre ECOmenismo aqui); e que (2) a grande capacidade de absorção de carbono pela Terra e pelos oceanos poderia tornar a datação pelo método do carbono 14 um tanto falha, uma vez que as amostras podem conter muito mais carbono 12, conferindo-lhes “aparência de antiga”.[MB]

A juíza e a jornalista: afetadas pela deterioração social?


A mídia divulgou na semana passada o incidente da universitária com roupas provocativas numa universidade brasileira, expulsa a princípio e depois readmitida na instituição. Inacreditável a fala de uma juíza e de uma repórter sobre esse caso! A juíza afirmou que houve preconceito contra a mulher e repressão contra a sexualidade feminina! Se eu tivesse ouvido isso no rádio e, portanto, sem ver a pessoa, imaginaria uma juíza muito jovem, deslumbrada e prepotente por adquirir poder sobre destinos de vidas humanas que o magistrado lhe confere, e supersensualizada. Usa ela minissaia provocativa no Tribunal? Mas era notícia na TV e, assim, vi a juíza, uma senhora de uns 65 anos de idade. Sua fala foi deprimente, infeliz, enojadora e revoltante pela posição de juíza – alguém muito bem pago para julgar questões na sociedade em busca de... de quê? De justiça, preservação dos bons costumes? A meu ver ela foi contra a justiça, o bom senso e infeliz com o depoimento sobre a jovem que expunha o corpo de modo supersensual em ambiente estudantil e sobre a punição recebida. Ela disse que a jovem fora punida injusta e preconceituosamente e que aquela universidade fora abusiva, quando, na verdade, creio, a jovem é que foi abusiva, admitindo em outro telejornal que havia exagerado e que tinha certa culpa pelo ocorrido. Antes de tomar a decisão de colocar limite para os abusos dessa moça, a universidade, no seu direito de preservar os bons costumes, havia conversado mais de uma vez com a aluna, pedindo sua cooperação. Não adiantou.

A jornalista da TV anunciou ser “absurdo” a instituição colocar regras contra o comprimento de uma saia porque, disse ela, “Será que existe limite para comprimento de minissaias?” Será que essa jornalista pensou no que disse? Será que ela percebeu a besteira que disse?

A sociedade decai mais e mais por misturar limites saudáveis com preconceito, liberdade de você ter seu ponto de vista com discriminação. Juntam coisas que são separadas. Em nome de liberdade, abrem-se as fronteiras do “abaixo a discriminação” e o que vem é anarquia. Defender bons costumes não é hipocrisia ou contradição. Contradição, a meu ver, são pessoas religiosas num momento “rezarem” na igreja e em seguida saírem e embebedarem-se na festa de um “padroeiro”. Hipocrisia é um grupo de religiosos com a Bíblia na mão orando e em seguida explorarem a boa fé do povo com lavagem cerebral para obter doações, dízimos, ofertas.

Olhe os sem-terra apoiados financeiramente pelo governo depredando propriedades públicas e particulares. Quem paga e se responsabiliza por isso? O que o governo faz para coibir isso? Reforma agrária valida depredações e impunidade por “pena” dos sem-terra? Se eles são “tadinhos” e “inofensivos”, já pensou “se fossem” violentos?

O professor Aurélio define “moral” como: relativo aos costumes; conjunto de regras de conduta consideradas como válidas; relativo ao domínio espiritual. E “moralista” como: que ou quem defende valores morais ou de boa conduta. O moralista perverso é o que prega uma coisa e pratica o oposto. Destruir princípios de boa moral como revolta contra moralistas hipócritas é o mesmo, por exemplo, que soltar os marginais das prisões porque há maus policiais.

O contrário de anarquia não é necessariamente ditadura ou proteção aos latifundiários. O contrário do direito de pensar diferente não é obrigatoriamente preconceito. O contrário de ter seu ponto de vista sobre certas questões morais não é o mesmo que discriminação. Pode ser tão abusivo uma mulher expor seu corpo indevidamente num ambiente escolar onde se vai para estudar, pesquisar, ensinar, quanto ela ser discriminada pela instituição que a expulsa se ela não infligiu padrões de conduta éticos conhecidos na instituição. Escrevi “se ela não infligiu”. Se ela infligiu, será juridicamente errado a instituição tomar uma providência para proteger a ética naquele ambiente? A jovem universitária tem o direito de fazer o que quer sem limites na universidade para não ser discriminada? A universidade não tem direito de colocar padrões de conduta no seu ambiente? Quem discrimina quem? Pode-se respeitar as escolhas das pessoas sem concordar com o que elas fazem. Mas não temos o direito de fazer o que queremos num ambiente social. E não concordar com o que as pessoas fazem não é preconceito ou discriminação. De novo, é liberdade, aliás, garantida pela nossa Constituição.

Quando o país faz uma lei para proteger negros quanto a vagas nas universidades, não os está discriminando? São eles menos inteligentes e por isso precisam ser protegidos na competição com os brancos, reservando-se vagas para eles?

Os comentários daquela juíza e da jornalista, lamentavelmente, são uma amostra do rebaixamento dos princípios morais e éticos na sociedade. São uma amostra do pensamento anárquico. Triste e revoltante. Mas se a sociedade quer isso e aprova isso, então aguentem o preço. E ele é alto. Qual o preço dessa falsa liberdade? Gravidezes indesejadas, doenças sexualmente transmissíveis, superficialidade das relações humanas, intoxicações alcoólicas com acidentes graves e mortes, violência, invasões de propriedades particulares, destruição de patrimônio público e privado, falsa felicidade, dependência química, rompimento de laços familiares, corrupção em todos os níveis, etc.

Quem domina sua mente? O bem ou o mal? A luz ou as trevas? A justiça ou a injustiça? A verdade ou a mentira? Você tem a escolha.

(Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, www.portalnatural.com.br)

Em tempo: A moça da minissaia já está sendo sondada para posar nua em revistas masculinas. Vai sair como heroína e engordar a conta bancária.

Editores de revistas da CPB participam do fórum da Aner

A Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) promoveu ontem no Teatro Raul Cortez, na sede da Fecomércio, em São Paulo, o 3º Fórum Aner de Revistas, com o tema “Um futuro digital que preserve o impresso”. Foi um dia bastante intenso, com palestras apresentadas por renomados expoentes da comunicação nacionais e internacionais, entre eles Roberto Civita, diretor editorial do grupo Abril; James Collins, vice-presidente sênior de pesquisas do Mediamark Research & Intelligence; Pyr Marcondes, diretor do Núcleo ProXXIma do Grupo M&M; Frederich Kachar, diretor geral da Editora Globo; Daniel Chalfon, sócio e diretor de mídia da MPM; entre outros. A mestre de cerimônias foi a apresentadora do Jornal da Globo, jornalista Christiane Pelajo.

“Os recentes desenvolvimentos da indústria editorial mostram que os editores precisam estar cada vez mais preparados para a evolução do seu negócio e adaptação ao meio digital”, diz o texto o texto de apresentação do programa. Os palestrantes deram uma amostra de como está o cenário atual do mercado de revistas e apontaram as perspectivas para um futuro multimídia em que a essência das publicações terá um papel crucial para atrair a atenção de um público leitor cada vez mais exigente.

Os palestrantes falaram ainda sobre as novas tecnologias digitais, mídias sociais, a questão do conteúdo aberto e fechado (afinal, como foi dito, a informação quer ser gratuita, mas a qualidade tem um preço) e a qualidade editorial nas múltiplas plataformas. Foram apresentados casos de sucesso e compartilhadas dicas de como fazer uma revista impressa sobreviver em meio ao avanço digital.

O presidente da Aner, jornalista Roberto Muylaert, abriu o dia afirmando que, a despeito da não obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, “vamos continuar a contratar profissionais de comunicação”. A justificativa tem que ver com a manutenção da qualidade na apuração e tratamento da informação, atividades para as quais o jornalista é treinado.

A tônica que permeou as discussões teve que ver com a boa convivência entre as mídias impressas e as digitais. O palestrante André Jalonetsky, diretor da Editora Escala, diz que as mídias se sobrepõem e brinca: “Tecnologia é uma coisa inventada depois que você nasceu.” Portanto, é importante se atualizar e conhecer as novas possibilidades de disseminação de conteúdos, fazendo com que uma mídia ajude a outra. Uma dessas mídias, o Twitter, foi descrita pelo vice-presidente executivo da Editora M&M Marcelo Salles Gomes como ótimo recurso para (1) gerar tráfego para o site ou blog da revista, (2) acompanhar a repercussão de matérias publicadas, (3) elaborar matérias com a participação dos leitores, e (4) aproximar a marca da audiência, já que a linguagem nessa e em outras mídias sociais é mais informal. Ele deu alguns exemplos de revistas que estão se valendo desse recurso: a Capricho tem hoje mais de 170 mil seguidores; a Veja tem quase 95 mil, e a Superinteressante já passa dos 66 mil.

Jairo Leal, presidente executivo da Abril, afirmou que a internet é a grande aliada das revistas, e justifica: “A internet não alterou o hábito de ler revistas; é mais um meio de comunicação para nossas marcas; fortalece a relação com o público; e ajuda a aumentar as assinaturas.” O fato de haver 64 milhões de internautas no Brasil, dos quais 27 milhões leem sites de revistas, parece justificar a tese de Jairo.

Os jornalistas Francisco Lemos (editor da revista Vida e Saúde), Sueli Ferreira de Oliveira (editora da revista Nosso Amiguinho), Wendel Lima (editor associado da Revista Adventista), Diogo Cavalcanti (editor associado de Vida e Saúde) e Michelson Borges (editor da revista Conexão JA) participaram do evento representando a Casa Publicadora Brasileira (CPB) juntamente com alguns administradores da instituição.

Sueli diz que “é muito bom participar de um evento como esse! Inúmeras oportunidades podem ser aproveitadas: entrar em contato com outras publicações, sondar o que o mercado de revistas está fazendo, discutir estratégias para ampliar o alcance da nossa marca”. Ela afirma que não gostaria de se acomodar com a revista Nosso Amiguinho. “Quero que ela melhore a cada edição e cresça cada vez mais. Fóruns como esses ajudam muito.”

Segundo Wendel, “algo que o fórum deixou claro é que a internet não vai acabar com a mídia impressa, pelo contrário, tem mostrado ser uma ferramenta fundamental para a sobrevivência e expansão das revistas. Não tem como pensarmos num futuro, sem a integração estratégica das mídias”.

“Pairou a certeza de que o jornalismo impresso está em uma preocupante transição, vendo crescer em torno de si a ‘matéria escura’ do universo digital”, avaliou Diogo. “Um gigante horroroso chamado Google, milhões de sites, blogs, twitters, kindles, celulares, os meios e devices que você quiser, giram absurdamente numa espiral insana chamada mercado editorial. Simplesmente ninguém no Brasil nem fora dele pode prever o futuro do jornalismo impresso, nem dar a ‘receita do bolo’ para se sobreviver financeiramente na internet”, completa o jornalista. Apesar da incerteza, para Diogo está mais do que clara a importância de se criar uma simbiose entre mídias impressas, digitais e outras, a fim de impactar leitores por todos os canais disponíveis. “Além disso, o conhecimento e a satisfação das demandas dos leitores serão a única maneira de prosperar no futuro”, prevê.

Uma das palestras de que os editores da CPB mais gostaram teve como título “O poder de uma capa perfeita”, e foi apresentada pelo veterano Thomaz Souto Corrêa, da editora Abril. Corrêa participou do lançamento e reformulação de inúmeras revistas da editora e apresentou algumas características da boa capa: (1) existe para vender a revista; (2) capa bonita vende mais do que revista feia; (3) capa é um convite, um apelo, uma convocação. Segundo ele, “a boa capa tem que ter uma imagem forte, ter boas e claras chamadas, atratividade, legibilidade, surpresa e representatividade do conteúdo da revista”. Na definição de alguns profissionais do meio, a boa capa tem que ter uma ideia e deve comunicá-la de maneira rápida e clara (em três segundos, segundo Corrêa). Além disso, não basta ser linda e não basta ser informativa, e deve despertar a vontade de comprar e de guardar para sempre.

Em sua palestra, durante o almoço que reuniu os mais de 700 participantes no restaurante da Fecomércio, o jornalista Roberto Civita disse ser esta uma época “divertida”, pois ninguém sabe exatamente para onde as coisas caminham. Segundo ele, “nosso trabalho tem alma, não é apenas um negócio, como vender sabonetes”.


No encerramento do evento, foi anunciada a melhor capa de revista de 2009. A vencedora foi a capa da Época sobre a tragédia do voo da Air France, em junho deste ano. Na foto acima, da esquerda para a direita, a capa vencedora, duas finalistas e a capa da Marie Claire, muito elogiada por alguns palestrantes.

(Michelson Borges, jornalista)

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Entrevista: a lógica do Sabino

Marcos André Sabino Ferreira nasceu em 18 de agosto de 1986, na cidade de Vila Nova de Gaia, Portugal. Membro da Igreja Evangélica de Belomonte, na cidade do Porto, gosta de jogar futebol, tocar guitarra, ler e passear pela blogosfera. Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, em Braga, está a poucos meses de concluir o Mestrado em Informação e Jornalismo. Atualmente, trabalha como gestor de comunicação numa empresa e mantém o blog A Lógica do Sabino. Nesta entrevista concedida a Michelson Borges, ele fala sobre seu interesse pelo criacionismo: [Leia mais]

Adúlteros – é como a evolução nos torna

Dois artigos apresentados no mesmo dia no LiveScience.com são um estudo de contrastes. Um tem como título “Sobrevivendo à infidelidade – O que as esposas fazem quando os homens traem”. O outro, “O ser humano foi projetado para ser monogâmico?”. O fio que os interliga é a evolução. O primeiro artigo admite o sofrimento, a vergonha e o senso de traição que as esposas sentem ao serem traídas pelo marido, bem como os sentimentos de raiva e desonra que os maridos sentem com a infidelidade da esposa. “Muitos cônjuges jamais se recuperam por completo de seus sentimentos de traição e raiva, ainda que continuem juntos”, disse um conselheiro matrimonial. Os homens e as mulheres diferem em suas reações gerais, mas “as reações típicas de ambos os sexos incluem se tornarem irados, tristes, humilhados e deprimidos”. O artigo não forneceu qualquer explicação ou aconselhamento, a não ser métodos estóicos de competição, sugerindo que a evolução tornou as pessoas assim.

Tais diferenças podem ter raízes evolucionistas profundas. “Com base na perspectiva masculina, a infidelidade sexual historicamente colocou em risco sua certeza de paternidade – ‘o bebê da mamãe ou talvez do papai’”, disse Buss [David Buss é professor de Psicologia na Universidade do Texas, em Austin]. O ciúme sexual masculino é, entre outros, uma adaptação desenvolvida para solucionar o problema genético da traição que, no contexto de sua declaração, foi projetada pela evolução. Em nenhum lugar, o artigo sugeriu uma explicação não-evolucionista para esse problema de infidelidade – nem explicou que, se a evolução causou isso, por que não a colocou longe do sofrimento.

O segundo artigo foi além, propondo abertamente a ideia de que o ser humano não deveria ficar obcecado com a fidelidade marital (monogamia), pois os outros animais são promíscuos, ainda que felizmente (veja a informação adicional, “Animal sex no stinking rules” [O sexo animal sem regras sujas]. O artigo afirma que “apenas 3 ou 5% das quase cinco mil espécies de mamíferos (incluindo os humanos) formam laços duradouros e monógamos com os mais notórios sendo os castores, lobos e alguns morcegos”. Isso implica que os cônjuges fiéis deveriam dançar conforme a música, ou pelo menos se livrar de seus bloqueios mentais quanto à promiscuidade. Então, qual é a resposta para as suas questões? Os humanos são feitos para serem monógamos? Não procure aqui por qualquer bússola moral universal. A fidelidade, se valer alguma coisa, é também uma estratégia evolucionista. Psicólogos evolucionistas já sugeriram que os homens são mais suscetíveis a terem sexo extraconjugal; parcialmente, devido à necessidade masculina de “espalhar os genes” ao disseminarem esperma. Tanto mulheres como homens, dizem esses cientistas, tentam melhorar seu progresso evolucionista ao procurarem parceiros de alta qualidade, embora o façam de maneiras diferentes.

A parceria comprometida entre um homem e uma mulher evoluídos, dizem alguns, é para o bem-estar dos filhos. “As espécies humanas evoluíram para formar compromissos entre homens e mulheres, com o propósito de cuidar de sua prole. Portanto, isso é um laço”, disse Jane Lancaster, antropóloga evolucionista da Universidade do Novo México (EUA). “No entanto, esse laço pode se enquadrar em todo tipo de padrões de casamento: poligamia, pais e mães solteiros, monogamia.” O que quer que funcione.

O artigo encerra declarando que a monogamia não é algo natural – é uma regra social, não biológica. “Não acho que sejamos animais monogâmicos”, disse Pepper Schwartz, professora de Sociologia da Universidade de Washington em Seattle. Ela acrescentou que a “monogamia foi criada para haver ordem e investimento, mas não necessariamente porque seja `natural’”. Essa menção é parte de uma série do LiveScience.com chamada Life’s Little Misteries [Os pequenos mistérios da vida].

Conforme a visão difundida nesses dois artigos, os humanos adultos são presos a um verdadeiro inferno, controlados por desejos primitivos, vindos de algum passado animal nunca visto, destinados a causar mágoas, raiva, dor, tristeza, angústia, desconfiança, indignação, humilhação, até mesmo fúria.

(Tradução: Elizandra Milene da Rocha)

Blog da Gi: Não desista

“Não adianta, não vou conseguir!” disse Carol de 4 anos: “Você estava indo bem, só porque você errou uma letrinha não quer dizer que você não conseguiu” respondeu a mãe dela: “não mamãe eu nunca vou conseguir fazer essa tarefa.” Então a irmã dela que se chama Julia de 9 anos disse: “Carol você é uma menina muito inteligente com certeza, vai descobrir qual é a letra certa.” “Esta bem”. Só que quando Carol chegou na escola ela tinha que fazer o número 5: “Não, eu nunca vou conseguir, é muito difícil e eu erro toda vez.” Então a professora dela disse: “Calma, todo mundo erra, eu erro, sua mãe e seu pai já erraram e ainda erram, você vai conseguir, porque quem tenta, pode demorar, só que consegue.” “Não! Eu posso tentar mil vezes, mas não consigo! E você nunca errou.” E a professora disse: “Isso não é verdade você sempre foi uma garota inteligente, só precisa aprender a não desistir.” “Está bem eu tento de novo”, disse Carol. [Leia mais]

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Papo de bactéria: desvendando conversas intercelulares

Um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia, em Diego, nos Estados Unidos, desenvolveu ferramentas que permitem ver como as bactérias “conversam” umas com as outras e como enfrentam e vencem a batalha contra outros microrganismos. O objetivo da pesquisa é entender como populações diferentes de células se comunicam, o que poderá auxiliar no desenvolvimento de novas terapias para as mais variadas doenças. As bactérias, para se comunicar, segregam moléculas que enviam sinais a outros microrganismos para, por exemplo, obter mais nutrientes. Outras moléculas são secretadas para “desligar” mecanismos de defesa do hospedeiro.

Em artigo publicado domingo (8/11) na revista Nature Chemical Biology, Pieter Dorrestein e seus colegas relatam a abordagem que desenvolveram para descrever, em laboratório, as trocas metabólicas que configuram os relacionamentos entre bactérias.

O grupo usou uma tecnologia chamada de Maldi-Tof (sigla em inglês para Matrix Assisted Laser Desorption Ionization-Time of Flight), que usa espectrometria de massa para estudar colônias de bactérias cultivadas em laboratório.

Interações microbiais, tais como a sinalização, são geralmente consideradas por cientistas em termos da atividade química individual e predominante. Contudo, qualquer espécie bacteriana é capaz de produzir muitos compostos bioativos que podem alterar organismos vizinhos.

A abordagem desenvolvida pelo grupo permitiu observar que as “conversas químicas” entre bactérias envolvem muitos sinais que funcionam simultaneamente. “Os cientistas tendem a estudar nessa troca metabólica entre bactérias uma molécula de cada vez. Mas, na realidade, tais trocas feitas por microrganismos são muito mais complexas, envolvendo dez, 20 ou até 50 moléculas de uma só vez. Agora, podemos capturar essa complexidade”, disse Dorrestein.

Os pesquisadores estão mapeando centenas de interações bacterianas com a nova tecnologia e esperam produzir um “dicionário bacteriano”, que possa ajudar a traduzir os sinais dos microrganismos.

“A capacidade de traduzir a produção metabólica de microrganismos é cada vez mais importante, tendo em vista sua elevada proliferação. Queremos entender como as bactérias interagem com as células e essa nova ferramenta poderá ajudar nesse objetivo”, disse Dorrestein.

(Diário da Saúde)

Nota: Além dessa capacidade complexa de comunicação, microrganismos também dispõem de motores moleculares supereficientes que inspiram a nanotecnologia; têm mais informação em seu DNA do que muitas enciclopédias; são capazes de duplicar toda essa informação e se dividir; etc. Mas não se esqueça: são “simples bactérias”, tipo aquelas que teriam dado origem à vida.[MB]

Projeto Atlanta 2010: Colômbia (parte 2)

Após ter cruzado a Cordilheira dos Andes Oriental, depois de ter atingido seu pico na cidade de Berlim, com 3.310 metros acima do nível do mar, iniciei uma descida de uns 50 km. Em nenhum país até o momento enfrentei subidas e descidas tão longas. Neste caso, quando a descida é longa e a partir de uma altitude elevada, momento em que os braços e pernas executam pouco movimento, a sensação de frio é algo critico. O ideal é descer em pé sobre a bicicleta e realizar o máximo de movimentos possíveis a fim de aquecer um pouco o corpo. Principalmente no meu caso, que não levo nenhum abrigo especial. Mas, como me considero uma “máquina humana”, penso que suportarei esses desafios.

É necessário informar que me exponho a essa situação tão somente por não dispor de um carro de apoio. Caso tivesse, agora estaria com um abrigo bem quentinho. Mas, como considero o que faço uma missão e não um trabalho, tenho prazer mesmo nas piores condições de viagem.

Ter conseguido atravessar a Cordilheira Oriental bem fisicamente e sem nenhum contato com a guerrilha colombiana, me animou a prosseguir. Todavia, ando com um alerta vermelho o tempo todo. Cada carro parado na estrada, cada transeunte a pé, cada grupo de homens reunidos em locais desertos e cobertos por florestas, me faz bater forte o coração e buscar proteção dos Céus. Isso é sempre preocupante e viajaria com mais alegria caso não tivesse que levar na mente essa situação.

Em realidade, penso que à medida que se aproxima a volta do Senhor mais o mundo se tornará violento. Além de tantos sinais claros na natureza do retorno breve de Jesus, um dos que mais se nota na raça humana é o “amor se esfriando em quase todos”.

Observe a sua volta o quanto as pessoas estão cada vez mais insensíveis a expressões de cordialidade, amor e compaixão para com o próximo. Por isso esses sequestros na Colômbia, os homens suicidas nos países árabes, crianças morrendo de fome na África e uma série interminável de corrupção, violência e degeneração mental, fruto de tabaco, bebidas e drogas.

Enquanto isso passa, estou aqui, subindo as Cordilheiras dos Andes Central da Colômbia em uma bicicleta a 10 km/h. Acho que todo ser humano deveria parar o que está fazendo, montar numa bicicleta e vir para cá. Seu corpo ia se regenerar, sua mente flutuar rumo ao céu e sua concepção da existência de um Deus Criador de todas as coisas chegaria ao ponto máximo. Aqui você sente o Todo-poderoso mirando Suas obras espetaculares.

O bom é que há subidas de mais de 50 km e que não se tem como passar correndo. O tempo gasto viajando em caracol a baixa velocidade permite pensar em tudo. Posso ir ao espaço sideral, buscando mistérios ocultos nas estrelas ou penetrar em imensas divagações sobre a miséria em que se encontra o ser humano. Mas o que me conforta é saber que enquanto estiverem nascendo flores no campo e crianças geradas em ventre materno, Deus ainda não perdeu a esperança na raça humana. Sim, já ouvi isso em algum lugar.

Prova disso é que Seu Santo Espírito me ordenou a deixar meu país, minha casa, esposa e filhos e sair errante, como peregrino e missionário, para chamar a atenção de alguns e ajudar a salvá-los para o reino eterno.

Isso ocorreu em Bucaramanga, aqui na Colômbia, onde tive oportunidade de testemunhar em várias igrejas e fazer apelos e ver pessoas realmente se entregando a Jesus de todo coração e alma.

Enquanto corria provas de maratonas, ciclismo e natação no Brasil, às vezes ganhava alguma medalha ou troféus. Agora, tudo mudou. Fui chamado por um milagre a fim de levar o evangelho eterno a todo o mundo por meio do esporte. Alguns veem, se emocionam. Creem e se convertem. Deus é honrado e eu receberei de Jesus, no lugar de medalhas e troféus, uma estrela em minha coroa por cada ser que conduzir aos Seus pés.

Penso em meu coração que vale a pena trocar esta vida mortal, sofrida vida mortal, pela imortalidade ao lado de Cristo. Dar uma volta ao mundo, como faço agora, não é nada comparado ao galardão que me espera.

Em tudo louvo ao Senhor porque este conhecimento não vem de homens. São promessas escondidas nos mistérios de Sua Palavra viva, a Santa Bíblia. Nela tenho minha rocha.

Os dias foram passando nas estradas da Colômbia e tive a satisfação de terminar também a Cordilheira Central. Cheguei numa tarde ensolarada em Bogotá, cidade a 2.600 metros sobre o nível do mar. Aqui é sempre frio em qualquer época do ano, especialmente no inverno. Geralmente, todo lugar muito alto é frio.

A chegada na capital colombiana foi tranquila. É fácil percorrê-la de um extremo a outro, uma vez que ela é toda cortada por ciclovias. De todas as capitais dos países que já percorri, esta é a primeira em que vejo respeito ao ciclista. Aqui todo mundo pedala porque se tem um espaço exclusivo onde há segurança para transitar. Quisera que todas as grandes cidades oferecessem ciclovias a seus habitantes. Especialmente as capitais dos países Isso promoveria mais saúde e menos poluição ambiental e sonora pelo uso mais frequente da bicicleta. Mudaria a mente, os hábitos e a atitude das pessoas com relação à pratica regular do ciclismo. Seria um grande beneficio para todo o planeta.
Parabéns às autoridades governamentais de Bogotá. Que outras cidades e países imitem essa iniciativa.

Depois que cheguei a Bogotá e me encontrei com pastores e irmãos da igreja, voltei a ouvir os comentários sobre guerrilha. Novamente me aconselharam sobre ir de avião até a Cidade do Panamá a fim de evitar cruzar o “campo minado” do inimigo. Mas, outros que não estavam tão preocupados com minha segurança diziam: o exército colombiano está nas estradas. Aqui de Bogotá até Medellin você ainda consegue viajar seguro. Então, quando chegar a Medellin, tome o avião.

Inicialmente me disseram para nem passar pela Colômbia. Depois afirmaram que poderia viajar ate Bogotá. Agora me dizem que não posso ir até Medellin...

Segundo eles, existem grandes problemas com guerrilhas na zona conhecida como Cartel de Cali e Medellin. Conhecida no mundo, pelo FBI e sempre citada em filmes sobre o submundo do tráfico de drogas. Fato concreto é que para chegar a Medellin passaria por essa zona vermelha, como eles assim chamam as partes do país ocupadas em sua maioria pelas forças revolucionarias. Todavia, esperando uma reação dos meus conselheiros, disse-lhes outra vez que não tenho dinheiro para viajar de avião até o Panamá. Por isso, iria cruzar a Cordilheira Ocidental, a terceira do país, montado sobre a “gorducha” Atlanta. Confesso que até esperei que eles me dessem uma pequena oferta que me permitisse comprar a passagem em avião... Como não foi ocaso, no dia seguinte estava cruzando um perigoso túnel que me levaria do centro de Bogotá rumo à rodovia para Medellin.

Outra coisa que me animava a prosseguir até aquela cidade é que nela se encontra a sede da Universidade Adventista de Colombia. Quem sabe, se chegasse ali sem problemas, poderia conseguir os recursos para ir ao Panamá de avião. Deixei mais esse problema nas mãos de Deus e segui.

Depois de muito suor; depois de muitos sustos pelo caminho; depois de ver muitas vezes pela fé os exércitos do Céu pelos caminhos tortuosos, frios, desertos e intransponíveis de mais uma cordilheira, guardando-me de todo mal, consegui chegar a Medellin.

Glórias, glórias, glórias àquele que tudo pode. O Senhor é a minha forca. Ele é o meu socorro, a Rocha em que me sustento. Essa vitoria é do Senhor! Essa vitoria é do meu Rei.

Estou avançando. Venha comigo porque Deus esta aqui.

Ate a próxima.

(George Silva de Souza, atleta e autor livro Conquistando o Brasil)

Nota: O Atleta da Fé, George Silva, está enfrentando grandes dificuldades financeiras para prosseguir nessa missão esportivo-evangelística e precisa urgentemente fazer uma revisão na bicicleta. Ele não me pediu isso, mas eu convido: se você puder colaborar de alguma maneira, escreva para ele: georgepalestras@yahoo.com.br

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Ingestão de marisco aumenta risco de diabetes

A ingestão regular de peixe branco e gordo protege contra o desenvolvimento da diabetes tipo 2. No entanto, a ingestão de marisco parece ter um efeito contrário, revela um estudo publicado na revista Diabetes Care. Para esse estudo, os pesquisadores da University of Cambridge, no Reino Unido, contaram com a participação de 9.801 homens e 12.183 mulheres saudáveis, com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos, os quais forneceram dados relativos ao seu consumo semanal de marisco e peixe branco, nomeadamente, bacalhau, linguado ou peixe gordo, como a cavala, arenque, atum e salmão. [Leia mais]

Um filho que volta para casa

Quase vinte anos atrás, fui convidado para dar estudos bíblicos às sextas-feiras à noite no colégio em que eu mesmo havia feito o curso técnico de química, no ensino médio, em Criciúma, SC. Na época, fazia faculdade em Florianópolis, a quase 200 km de distância, mas viajava todos os fins de semana para ensinar a Bíblia para centenas de alunos – não podia perder essa tremenda oportunidade de partilhar minha fé recentemente abraçada. Com o tempo, me tornei amigo de um jovem de longos cabelos escuros e escorridos. O nome dele é Willian e ele tomava o mesmo ônibus que eu, já que precisava passar perto da casa dos meus pais para ir para a casa dele. Isso permitia que continuássemos a conversa iniciada na sala de aula. Frequentemente, o Willian ficava em minha casa várias horas noite adentro. Nessas ocasiões, estudávamos a Bíblia juntos e orávamos. (A foto acima foi tirada em Joinville, em 1994.)

Willian cortou o cabelo, tornou-se estudioso da Bíblia, leitor voraz de livros religiosos, tomou a decisão pelo batismo e passou a me acompanhar em atividades missionárias (procurei fazer com ele o que o Vanderlei fez comigo). Infelizmente, como eu precisava ficar cada vez mais tempo em Florianópolis, não pude me dedicar tanto ao meu amigo recém-converso. Por esse e outros motivos, aos poucos ele começou a se afastar da igreja. Lembro-me de uma ocasião especialmente triste, quando o Willian foi até a casa dos meus pais para me dizer que não era feliz. E comparou: “Sinto-me como uma formiga fora do formigueiro.” Ele queria viver como os outros adventistas, mas dizia que não conseguia. E como conhecia a vontade de Deus e o destino deste mundo (os bastidores do grande conflito), também não conseguia mais ser feliz como achava que era antes de conhecer a Jesus e a verdade revelada por Ele.

Naquela noite nos abraçamos e choramos. Eu disse ao Willian que havia dado a ele a “coisa” mais preciosa que eu tinha: Jesus Cristo. Disse também que eu não queria que ele se sentisse daquele jeito. Que eu era feliz e que ele também poderia ser, se fizesse de Jesus seu melhor amigo. Mas o Willian acabou mesmo deixando a igreja e se afastando de Deus.

Os anos se passaram. Formei-me, casei-me e mudei para Tatuí, SP. O Willian também casou e se tornou advogado. Praticamente perdi o contato com ele, excetuando um ou outro encontro casual, quando minha esposa, filhas e eu estávamos de férias em Criciúma. Mas nesse tempo todo nunca deixei de orar por ele e convidá-lo a voltar, sempre que podia. Eu sabia que a semente plantada no coração do meu amigo era (e é) forte, e que o solo era (e é) dos melhores.

Hoje recebi este e-mail do Willian e tive que segurar as lágrimas:

“Olá, Michelson, como vai o amigo?

“Sou eu, o Willian. Gostaria de te agradecer por você me enviar esses e-mails, realmente são muito interessantes. Nesse fim de semana estive na Igreja Adventista Central, aqui em Criciúma. Foi muito bom. Quem pregou foi um pastor de Florianópolis.* Um grande sermão. Me senti novamente tocado por Deus. À tarde estive no festival de corais adventistas, realizado no Teatro Elias Angeloni, ali na Prefeitura, lembra? Minha esposa foi comigo.

“Na verdade, como você mesmo sabe, por um longo tempo estive afastado da Igreja e de Deus. Mas, agora, voltei a fazer um estudo bíblico por meio de um convite que recebi de um cliente meu aqui do escritório. Como eu já conhecia a mensagem adventista, aceitei prontamente. Quem está me dando o estudo é o pastor Arildo, um grande sujeito, um cara muito inspirado. Nos últimos dias, Ellen White já dizia que o Espírito Santo desceria sobre o mundo e através da chuva serôdia traria muitas pessoas novamente a Jesus. Talvez Deus esteja me dando mais uma chance, e espero desta vez não perdê-la.

“Acredito que minha esposa também seja uma pessoa sincera, e que Deus com o tempo vai tocar em seu coração. Com muita oração e com meu próprio testemunho, espero que um dia ela também aceite Jesus. As dificuldades serão muitas, mas pra Deus nada é impossível.

“Um grande abraço de seu amigo Willian.”

Deus seja louvado por nos dar essas surpresas aqui na Terra! Fico imaginando quantas outras teremos no Céu!

No fim de dezembro, vou a Criciúma. Quero dar outro abraço no Willian. Mas, dessa vez, as lágrimas não serão de tristeza...

Michelson Borges

(*) O pastor que pregou lá em Criciúma foi o Charles Rampanelli, meu colega de mestrado e servo de Deus.

O preço da beleza - coelhos pagam o pato


Testes em laboratório estão forçando coelhos a passar diariamente horas totalmente presos em caixas bem apertadas. Tudo para estudar a eficácia de substâncias antirrugas. A cena foi captada por um funcionário do próprio Laboratório Wickham, em Hants (Inglaterra). Os animais recebem injeções de Dysport, rival do Botox, nas orelhas.

O denunciante estava a serviço do Sindicato Britânico pela Abolição de Experiências com Animais.

O governo do Reino Unido disse que investigará a denúncia e tomará medidas urgentes para deter os abusos contra animais cometidos por indústrias farmacêuticas.

O diretor técnico do laboratório disse estar comprometido com o bem-estar dos animais. Nota-se...

(Page Not Found)

Nota: Infelizmente, o ser humano acha que sua pele, seus cabelos e seu estômago são mais importantes que os animais usados em testes e como comida.[MB]

A polêmica do crucifixo nas escolas públicas italianas

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo (Tendências/Debates, 7/11), defendi a decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos que determinou a retirada dos crucifixos das escolas públicas italianas, pois assegura o direito dos pais de educarem os filhos de acordo com suas próprias convicções religiosas, conforme a Convenção Europeia de Direitos Humanos (1950). Certamente, a Corte não levou em conta apenas a liberdade religiosa da requerente (senhora Lautsi), mas também de todos os pais ateus, agnóstico e de outras confissões religiosas, cujos filhos frequentam escolas públicas na Itália. Não se trata, portanto, de fazer valer o direito de apenas uma única pessoa em face de uma maioria religiosa católica.

No sistema democrático, o direito da maioria não é superior ao direito da minoria. Tanto a maioria quanto a minoria possuem exatamente os mesmos direitos. A corte de Estrasburgo reconheceu o direito individual à liberdade religiosa, independentemente de o individuo pertencer à minoria ou à maioria religiosa. Democracia não admite a ditadura da maioria. Atribuir à maioria direitos superiores aos da minoria seria uma forma de negar que todos os cidadãos possuem os mesmos direitos. A universalidade dos direitos humanos é legado das declarações liberais do século XVIII, como a Declaração de Independência dos Estados Unidos de 1776. Assim, o art. 1º da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 estabelece que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.

O direito à liberdade religiosa da minoria tem o mesmo valor do da maioria. Assim, se uma confissão tem o direito de ter seus símbolos religiosos exibidos pelo Estado nas escolas públicas, as demais confissões também teriam o mesmo direito. Por outro lado, o Estado, no contexto laico, tem o dever de se manter neutro diante do pluralismo religioso existente na sociedade, sem favorecer uma religião, ainda que majoritária, em detrimento das demais confissões.

A decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos é justa e protege o direito individual à liberdade religiosa. Ela não impede que os indivíduos, as igrejas e as confissões religiosas exerçam o direito de exibir seus símbolos. Proíbe apenas que o Estado Italiano exiba símbolos religiosos nas salas de aula das escolas públicas, pois assim estaria promovendo uma única religião e negando a educação laica para seus cidadãos.

Se a Corte de Estrasburgo negasse o direito à liberdade religiosa da senhora Lautsi e de suas crianças, estaria, por conseguinte, privilegiando o relativismo cultural em detrimento da universalidade dos direitos humanos. A identidade cultural do povo italiano tem sido utilizada para reprovar a decisão da Corte. Nessa esteira, contudo, cumpre relembrar que a tese da universalidade dos direitos humanos saiu vencedora na famosa conferência de Viena de 1993. Assim, não se pode violar o legítimo direito à liberdade religiosa em nome da identidade cultural do povo italiano.

A decisão da Corte Europeia reconhece o direito fundamental à liberdade religiosa do indivíduo e leva a sério a separação entre a Igreja Católica e o Estado que foi estabelecida no art. 7, alínea 1, da Constituição Italiana de 1947. Ademais, leva a sério o direito internacional e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos da qual a Itália é signatária. Por isso, não se trata de decisão hostil à religião.

A Corte de Estrasburgo não poderia de forma alguma violar o direito à liberdade religiosa com o argumento de salvaguardar a cultura europeia. Na realidade, a sentença está de acordo com o legado maior deixado pelo próprio cristianismo: separação entre a Igreja e o Estado, tolerância, fraternidade, dignidade da pessoa humana, direitos humanos e, consequentemente, igual liberdade de pensamento, de crença e de religião para todos. Nesse sentido, ao ser entrevistado pelo jornalista Heródoto Barbeiro, no jornal da rádio CBN, eu afirmei que cristianismo é muito mais do que crucifixo pendurado na parede. Importa relembrar e promover esses valores que são universais. Mesmo alguns daqueles pais fundadores da nação norte-americana – Estados Unidos –, que não eram cristãos, entenderam a validade universal desses ensinamentos cristãos e ajudaram a erigir a metáfora do muro de separação entre a religião e o Estado, como pressuposto de um Estado democrático, fraterno e pluralista.

Por fim, não se pode dizer que a decisão de Estrasburgo estaria em consonância com a concepção de Estado ateu. Isso porque, é absolutamente condizente com a neutralidade do Estado diante do fenômeno religioso. A decisão não tende, portando, nem à religião nem tampouco ao ateísmo: é neutra, assim como o Estado laico deve ser neutro tanto na Itália quanto no Brasil.

(Aldir Guedes Soriano, advogado e membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP. É coordenador da obra coletiva Direito à Liberdade Religiosa: desafios e perspectivas para o século XXI, Editora Fórum, 2009)


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